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1:51 PM



JANELAS DA VIDA...

Abra a janela do teu coração e deixe a alma arejar!
Sabe aquele cheiro de mofo de sonhos que envelheceu
e você nem se deu conta?
Deixe que o vento leve para longe.
Livre se também do ranço amargo de toda mágoa e
do rancor, faça uma boa limpeza na vidraça da janela
do coração, garanto que você enxergará
melhor a vida lá fora...
Deixe a luz inundar tudo, apagar as marcas das decepções,
as tristezas das derrotas, o vicio de sofrer por sofrer e
acima de tudo, permita que o sol derreta o gelo da solidão...
Apaixone se por um sorriso e sorria junto,
ilumine as janelinhas dos olhos, atraia beija-flores,
borboletas, vaga-lumes, ame a pessoa que o espelho
reflete todas as manhãs...
Escancare a janela dos desejos e esbanje sonhos,
ninguém sonha em vão, e também não é verdade que
os sonhos fogem, as pessoas é que desistem, e eles morrem...
Alicerce seus desejos com bases sólidas e construa
dia a dia degraus para você chegar até a sua meta,
depois se aplauda, porque você conseguiu!
Nisso reside o prazer...
Não permita que nenhuma sombra pesada amortalhe
o sol, que nenhuma parede aprisione o vento e
cale o som da vida.
Jamais se transforme em órfão da luz...
Desenhe um horizonte além da tua janela,
exagere nas cores e entremeie alegria entre folhas.
Floresça todos os campos que tua vista alcança
e depois, vá além muito além....
Exponha na janela toda a alegria de viver,
mostre ao mundo um rosto luminoso, uma face sem
rugas de preocupações, prontinha para ser
acariciada, admirada e beijada...
Amplie a essência da ternura, semeia a brisa um gesto,
uma frase doce ou um suspiro.
Seguramente alguma alma comovida escutará
e devolverá o eco da tua voz...
Desvia teu olhar das coisas tristes e infelizes,
transforme em oásis toda aridez que aparecer,
jorre venturas e aventuras em abundancia,
através da tua janela....
Espalhe poeira dourada de sonhos além da janela,
plante flores, colha encantamento.
Permita que as sementes da felicidade se espalhem
e contamine toda a terra...
Refaça tuas crenças, redima equívocos, culpas,
regenere erros e falhas, distribua perdão.
Valorize o melhor de cada pessoa e principalmente o
melhor que existe em você....
Abra a janela da vida e seja pleno em cada coisa
ainda que pareça pequena.
Viva na forma adulta de ser criança, debruce na janela
e não olhe a vida passar através dela... VIVA!


Nina Porto


Rabiscado por Andarilha descalça

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9:10 AM


Almoço de domingo
Tere Penhabe


Se fosse possível, por certo acomodaria num baú, todos os almoços de domingo que povoam a minha memória, e o carregaria comigo para onde fosse.

São lembranças maravilhosas, que provocam emoção ao serem evocadas. As pessoas são diferentes umas das outras. As circunstâncias que as rodeiam, também são diferentes. Mas todas, num determinado ponto da vida, vão sendo lentamente rodeadas de silêncio.

Aquele silêncio que parecia tão benéfico, que a gente almejava tanto, nos almoços de domingo, tentando interpelar e acalmar as crianças, aquele silêncio chega a incomodar, num certo ponto da vida, de tanto que passa a existir.

E eu lembro muito do burburinho que povoava nossos domingos, o barulho de panelas grandes sendo manuseadas, o cheiro delicioso do assado... nunca mais eu senti, em lugar nenhum do mundo, o cheiro de pernil assado, igual aquele que a minha mãe fazia.

O molho da macarronada, denso e vermelho borbulhando na panela...como era delicioso aquele molho. E a gente ficava esperando minha mãe se afastar, para roubarmos um pouco do molho para o pão. Ela não gostava que mexêssemos nas suas panelas, mas mesmo assim a gente sempre conseguia efetuar os roubos de molho.

Eu fecho os olhos lentamente, e tenho impressão de ouvir asqueles chamados tão constantes... tiiiiiia... manhêêêê...Ziiiinha... quanta saudade!

Muitas vezes a confusão era tanta, que eu não sabia a quem atender primeiro.

Era comum precisar passar uma carraspana na peste do meu sobrinho mais velho, Luiz Henrique, porque ele maltratava todos os primos menores. Hoje é um homem, um grande homem!

A constante presença do meu irmão, num canto do sofá da sala, sempre risonho, como se a vida fosse uma grande brincadeira. Sempre queria comentar comigo os filmes que havíamos assistido. Eram conversas tão gostosas, tão descontraídas.

Muitas vezes, essas conversas eram interrompidas pelas crises histéricas da minha irmã mais velha, que enciumada da nossa amizade, resolvia brigar com as crianças, como se fosse uma delas...

Eu e meu irmão, sempre estivemos unidos contra ela, em toda a lembrança que eu tenho, desde que éramos muito crianças. Eu me lembro que ele dizia: esconde isso senão a jararaca quebra. A "jararaca" era ela. Ela era má, sentia prazer em me fazer chorar, e passou a vida tentando fazer a mesma coisa com meu irmão, mas ele não chorava. Eu acho que talvez ele tenha morrido tão cedo, para não precisar aprender a chorar, algum dia.

Mesmo assim, era muito bom contar com a presença da jararaca nos almoços de domingo. Como dizia minha mãe: irmãos precisam se dar bem...

Precisamos aproveitar ao máximo as alegrias que vivemos. Tudo na vida é passageiro, e um dia, o burburinho da alegria transforma-se em silêncio. Nesse dia, precisamos vasculhar a memória para encontrá-lo, ou então simplesmente fechar os olhos e ficar assim, na frente da janela deixando que o pensamento voe livre pelo universo... como as águias.

Quando ele volta, acomoda-se reconfortado dentro da gente, e pousa suavemente na saudade que se aconchega na alma, na parte mais bonita da alma...



Rabiscado por Andarilha descalça

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4:19 PM



BOM DIA
Marco Bastos
26/02/2007



Bons dias. Isso mesmo, bons dias aqueles da minha infância na minha pequena cidade. E naqueles tempos os representantes de laboratórios apareciam como ainda hoje, nos consultórios dos médicos, com suas grandes malas de remédios, convencendo doutores, urbi et orbi, dos miraculosos poderes curativos de suas drogas. Eu achava tudo aquilo fantástico, lá pelos meus 8 ou 10 anos. Chegar ao consultório do meu pai um homem que sabia tanto sobre os remédios. Que dizia sem nenhum tropeço que naquela medicação havia uma poderosa dimetilaminofenildimetilpirazolona; e eu cismava, só pode ser mesmo milagre caber em uma pilulazinha daquela tanta química e ainda mais farmaco-dinâmica, tempo de plasma, e reações adversas, juntamente com sua posologia. Anos dourados, alopatia, e ainda havia aqueles médicos que receitavam por fórmulas; nas farmácias as balanças de precisão e a vidraria, poções fumegantes de drogas mágicas, a produzirem suas receitas.

Não, não, não. Que fôssem mesmo e de agora adiante ainda homeopatas. E na praça bradava aquela perua linda, com seus grandes alto-falantes sobre o teto; nas laterais, na frente e no fundo escrito "Melhoral" em letras garrafais. - Venha, menino, canta aqui "Melhoral", "Melhoral" é melhor e não faz mal,... para ganhar um lindo brinde!...

Fui lá, e ganhei aquele lindo tapa-sol, uma aba de boné de papelão, borrachinha que repuxava o cabelo na hora de prendê-la na sua cabeça, e as letras enormes para ficarem sobre sua testa gravado ad eternum, "MELHORAL". "Melhoral", "Melhoral", é melhor e não faz mal.... Ah! Já me esquecia... Ainda hoje sou fã incondicional dos programas promocionais e da publicidade; ainda mais quando a serviço de um mata-fome zero, ou principalmente, quando se destinam a alinhar os esforços do país continental na busca do crescimento com desenvolvimento social e econômico.

Hoje, como naqueles tempos de criança, não gostaria de ver frustrados os meus sonhos e a fantasia de ganhar um lindo brinde. E já se divulga que as taxas de crescimento do PIB para o ano de 2006 estão sendo revistas para baixo, e também que as equações para o crescimento que foram ditas, há apenas dois meses, como perfeitamente conhecidas, agora já apresentam parâmetros que se desconhece. Alô, alô, Marciano, agora sou alopata, e a transição que reservou a homeopatia aos homeopatas se deu mais de 100 anos antes da minha infância, com Hahnemann. Que a homeopatia (similis similibus curantur) prossiga na Medicina como alternativa de terapêutica, tudo bem. Afinal, se sobreviveu à maciça investida da modernidade deve ter sua eficácia. Mas, nesse período, eu, que não me dediquei à profissão do meu pai, aprendi outros preceitos.

No Planejamento Estratégico das Empresas sabemos das necessidades de revisão de planos, conseqüência da flexibilidade que as mesmas devem ter para superar suas dificuldades e seus desafios. E de fato efetuamos tais adaptações. No entanto, conservamos sempre o referencial original para não perdermos de vista onde pretendíamos chegar e para podermos avaliar o nosso desempenho como gestores. Se alteramos homeopaticamente os nossos referenciais, nunca estaremos cometendo erros significativos, mas também não saberemos, ao longo do tempo, aonde estaremos chegando.

Como os leitores percebem, sou de um tempo ranzinza. Sou do tempo em que os objetivos dos planos eram mesmo para serem alcançados. Não eram cortina de fumaça divulgados para propalar façanhas que não realizei, e muito menos, para que acreditem que tenho diferenciais que não tenho. Vou concorrer pela segunda vez na vida arriscando-me a ganhar um brinde. E vou logo avisando que tapa-sol eu já ganhei, quando ainda era criança, e tapa-olhos eu não quero. Os convido a terem uma ótima semana.





Rabiscado por Andarilha descalça

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1:47 PM


"Nós os indios, conhecemos o silêncio. Não temos medo dele. Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras. Nosso ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles nos transmitiram esse conhecimento. "Observa, escuta, e logo atua", nos diziam. Esta é a maneira correta de viver.

Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes. Observa os anciões para ver como se comportam. Observa o homem branco para ver o que querem. Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos, e então aprenderás. Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.

Com vocês, brancos, é o contrário. Vocês aprendem falando. Dão prêmios às crianças que falam mais na escola. Em suas festas, todos tratam de falar. No trabalho estão sempre tendo reuniôes nas quais todos interrompem a todos, e todos falam cinco, dez, cem vezes. E chamam isso de "resolver um problema". Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos. Precisam preencher o espaço com sons. Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.

Vocês gostam de discutir. Nem sequer permitem que o outro termine uma frase. Sempre interrompem. Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive. Se começas a falar, eu não vou te interromper. Te escutarei. Talvez deixe de escuta-lo se não gostar do que estás dizendo. Mas não vou interromper-te. Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acorso, a menos que seja importante. Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei. Terás dito o que preciso saber. Não há mais nada a dizer. Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.

Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes. Deveriam planta-las, e permiti-las crescer em silêncio. Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.

Existem muitas vozes além das nossas. Muitas vozes. Só vamos escutá-las em silêncio." - "Neither Wolf nor Dog. On Forgotten Roads with an Indian Elder"

Kent Nerburn


Rabiscado por Andarilha descalça

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8:50 AM


História de bem-te-vi
Cecília Meireles


Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa só de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antigüidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.

Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e "querejuás todos azuis de cor finíssima...". Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...

Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.

E é pena, pois com esse nome que tem ¿ e que é a sua própria voz ¿ devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.

O que me leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: "...te-vi! ...te-vi", com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.

Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão ¿ como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? ¿ animou-se a uma audácia maior Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: "...vi! ...vi! ...vi! ..." o que me pareceu divertido, nesta era do twist.

O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol ¿ que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam os lemas dos seus brasões? Talvez tenha sido atacado por esses crioulos fortes que agora saem do mato de repente e disparam sem razão nenhuma no primeiro indivíduo que encontram.

Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar E cantava assim: "Bem-bem-bem...te-vi!" Pensei: "É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!..." Depois, o passarinho mudou. E fez: "Bem-te-te-te... vi!" Tornei a refletir: "Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando..." E o passarinho: "Bem-bem-bem...te-te-te...vi-vi-vi!"

Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: "Que engraçado! Um bem-te-vi gago!"

(É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


Texto extraído do livro ¿Escolha o seu sonho¿, Editora Record ¿ Rio de Janeiro, 2002, pág. 53.






Rabiscado por Andarilha descalça

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6:20 PM


Índios Suicidas
R. CArlOS Pontes

O dia amanhece e o coração de mãe enlouquece.
Seu fruto pende da arvore. Maduro. Nas raízes onde
cresce o futuro. Enforcado. Seu filho amado.

Nas aldeias, onde antes voava a flecha certeira,
hoje rasteja a fera ao redor da fogueira. De seus antigos
guerreiros, cujo grito acordava a mata, hoje só resta o
silêncio do luto, o vulto da morte dormindo na faca.

Na fronteira com o Paraguai, um mundo à parte.
Em Dourados, a escuridão, a depressão, o limite da
margem da vida. A pobreza nunca antes sentida.

São jovens os que cedo nascem para a morte.
Balançam no laço da corda, livres do aperto de toda
hora. São jovens os que tomam veneno, embriagados de
tristeza.

O espírito é livre, e corre pelo tempo, caçando o
esquecimento.

TUM tum TUM tum TUM tum TUM tum TUM

O tambor do coração avisa a morte de mais um
irmão. Desde povo, que desaparece na noite, para entrar
na noite mais escura.

É tudo tão longe. E tudo que é longe, fica mais
distante quando não pensamos que pode ser tão perto,
quanto ver o olhar dos jovens no alto, buscando o salto,
nos prédios iluminados de Copacabana.


Rabiscado por Andarilha descalça

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9:21 PM


Conversinha Mineira
Fernando Sabino



-- É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?

-- Sei dizer não senhor: não tomo café.
>
-- Você é dono do café, não sabe dizer?
>
-- Ninguém tem reclamado dele não senhor.
-- Então me dá café com leite, pão e manteiiga.

-- Café com leite só se for sem leite.

-- Não tem leite?

-- Hoje, não senhor.

-- Por que hoje não?

-- Porque hoje o leiteiro não veio.

-- Ontem ele veio?

-- Ontem não.

-- Quando é que ele vem?

-- Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem. Só que no dia que devia vir em geral não vem.

-- Mas ali fora está escrito "Leiteriaa"!

-- Ah, isso está, sim senhor.

-- Quando é que tem leite?

-- Quando o leiteiro vem.

-- Tem ali um sujeito comendo coalhada. É ffeita de quê?

-- O quê: coalhada? Então o senhor não sabee de que é feita a coalhada?

-- Está bem, você ganhou. Me traz um café ccom leite sem leite. Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua cidade?

-- Sei dizer não senhor: eu não sou daqui.<

-- E há quanto tempo o senhor mora aqui?
-- Vai para uns quinze anos. Isto é, não poosso agarantir com certeza: um pouco mais, um pouco menos.

-- Já dava para saber como vai indo a situaação, não acha?

-- Ah, o senhor fala da situação? Dizem quee vai bem.

-- Para que Partido?

-- Para todos os Partidos, parece.

-- Eu gostaria de saber quem é que vai ganhhar a eleição aqui.

-- Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam que outro. Nessa mexida...

-- E o Prefeito?

-- Que é que tem o Prefeito?

-- Que tal o Prefeito daqui?

-- O Prefeito? É tal e qual eles falam delee.

-- Que é que falam dele?

-- Dele? Uai, esse trem todo que falam de ttudo quanto é Prefeito.

-- Você, certamente, já tem candidato.

-- Quem, eu? Estou esperando as plataformass.

-- Mas tem ali o retrato de um candidato deependurado na parede, que história é essa?

-- Aonde, ali? Uê, gente: penduraram isso aaí...


Texto extraído do livro "A Mulher do Vizinho", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1962, pág. 144.


Rabiscado por Andarilha descalça