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Les Moulins De Mon Coeur/André Rieu

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[Sexta-feira, Dezembro 29, 2006]


NOVO ANO, ANO NOVO
NOVO ANO, ANO NOVO


O ano novo surgindo. De repente somos bruxos transformados, nos mágicos refletores,
Em poetas e em tais luas e seus tremores, vociferando suas interrogações
Nos futuros que nos atalham nos fantasiamos de estrelas, de mitos e de bandeiras
Somos em nossas almas benditas, somos o expurgo das tentações
Somos heróis e somos vilãos, profetas, atores e cortesãos

Viramos o mundo da inteligência na terra do faz de conta, da vida que sempre apronta
Que sem medir indulgências, sem arrimo, sem clemências sempre nos amedronta
Somos as canelas do vento, a brisa do eterno lamento de um mundo só transformado
Edificado, meio encantado nas loucuras de sermos seres minguados, ignorados...

Nós somos das melodias ousadas, cantadas, esmerilhadas, fanhosas
Nos tons que, em profanos interesses, nos acúmulos das intimidações
Nos picadeiros das palhaçadas do rez do chão, somos figuras só rabiscadas
No mundo que vem chegando, infinitos estarão espreitando na berlinda
Em taças de vinho derramadas nas pecadoras luxúrias desembestadas...

Previmos, rimamos, acontecemos, porque somos eternos atores de palcos mudos
sem focos, sem cortinas nem refletores
Já fomos o perú de Natal com castanhas, damascos, figos e coisa e tal
Mas já passou, nem ao menos acenou, dando adeus à comunhão de amores
Às festas de mesas ricas de comidas originais, de presentes tão sedutores...

Entra o ano novo rebolante, rutilante, debochante, intrigante
Vem escorregando nos espreitar, somos o eterno jogo de azar, rolando roletas pra nos ver dançar
Roda a roleta da vida entrante, batem bolas nos goals alucinantes, que nas traves vêm nos dizer
Que estão só para prometer , só para nos enganar nos sonhos que estamos a sonhar
O ano vem errante, claudicante. Vem das ruelas navegantes que os bruxos vêm maldizer
Céus! O que têm pra nos dizer? Que espaço nos resta viver para não retroceder? ...

Entra o ano, vem nos buscar nos entrudos nos fantasiar em blocos do "cá te espero"
Embolando nas multidões, sambando nas enganações, cantando suas previsões
Pedras, cascalhos, atalhos, caminhos que nos restarão pra deslumbrar
Deslumbrar? Não me façam rir, isso é só um debochar. Só conversa fiada a enrolar
Nas passada que ainda iremos trilhar, andaremos passo a passo no nosso caminhar...

Ditos, parceiros, iremos ao encontrar em jorradas errantes, vinho, terra
Em pagadoras promessas em andantes, passadas a caminhar
Viraremos pó das caminhadas, trotares de muares mochos
Nesta terra que estamos a procurar, tentar nos equilibrar

Ano Velho! Vai! Adeus! Não fiques só nas promessas
Vai assim mesmo com pressa para nunca mais voltar
Nem precisas vir me procurar, estarei me alçando para além mar
Buscando me refrescar e em alguma coisa tentar acreditar...


Myriam Peres




por Andarilha descalça * 9:26 AM

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[Sábado, Dezembro 23, 2006]




por Andarilha descalça * 11:14 PM

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[Segunda-feira, Dezembro 18, 2006]


Mensagem de Natal

Esta mensagem recebi de um conhecido por e-mail e a achei bonita. Feliz Natal a todos!
Feliz Natal a quem não planta corvos nas janelas da alma, nem embebe o coração de cicuta e ousa sair pelas ruas e transpirar bom-humor.
Feliz Natal a quem cultiva ninhos de pássaros no beiral da utopia e coleciona no espírito as aquarelas do arco-íris. E a todos que trafegam pelas vias interiores e não temem as curvas abissais da oração.
Feliz Natal aos que reverenciam o silêncio como matéria-prima do amor e arrancam das cordas da dor melódicas esperanças. Também aos que se recostam em leitos de hortênsias e bordam, com os delicados fios dos sentimentos, alfombras de ternura.
Feliz Natal aos que trazem às costas aljavas repletas de relâmpagos, aspiram o perfume da rosa-dos-ventos e carregam no peito a saudade do futuro. Também aos que semeiam indignações, mergulham todas as manhãs nas fontes da verdade e, no labirinto da vida, identificam a porta que os sentimentos não vêem e a razão não alcança.
Feliz Natal a todos que dançam embalados pelos próprios sonhos e nunca dizem sim às artimanhas do desejo. Aos que ignoram o alfabeto da vingança e jamais pisam na armadilha do desamor, pois sabem que o ódio destrói primeiro a quem odeia.
Feliz Natal a quem acorda, todas as manhãs, a criança adormecida em si e, moleque, sai pelas esquinas quebrando convenções que só obrigam a quem carece de convicções. E aos artífices da alegria que , no calor da dúvida, dão linha à manivela da fé.
Feliz Natal a quem recolhe cacos de mágoas pelas ruas a fim de atirá-los no lixo do olvido e guardam recatados os seus olhos no recanto da sobriedade. A quem resguarda-se em câmaras secretas para reaprender a gostar de si e, diante do espelho, descobre-se belo na face do próximo.
Feliz Natal a todos que pulam corda com a linha do horizonte e riem à sobeja dos que apregoam o fim da história. E aos que suprimem a letra R do verbo armar e se recusam a ser reféns do pessimismo. Feliz Natal aos que fazem do estrume adubo do seu canteiro de lírios. Também aos poetas sem poemas, aos músicos sem melodias, aos pintores sem cores e aos escritores sem palavras. E a todos que jamais encontraram a pessoa a quem declarar todo o amor que os fecunda em gravidez inefável.
Feliz Natal aos ébrios de transcendência e aos filhos da misericórdia que dormem acobertados pela compaixão. E a todos que contemplam ociosos o entardecer, observando como o Menino entra na boca da noite montando seu monociclo solar.
Feliz Natal a quem não se deixa seduzir pelo perfume das alturas e nem escala os picos em que os abutres chocam ovos. E a todos que destelham os tetos da ambição e edificam suas casas em torno da cozinha.
Feliz Natal a quem no leito de núpcias, promove uma despudorada liturgia eucarística, transubstanciando o corpo em copo inundado do vinho embriagador da perda de si no outro. E a quem corrige o equívoco do poeta e sabe que o amor não é eterno enquanto dura, mas dura enquanto é terno.
Feliz Natal aos que repartem Deus em fatias de pão e convocam os famélicos à mesa feita com as tábuas da justiça e coberta com a toalha bordada de cumplicidades.
Feliz Natal aos que secam as lágrimas no consolo da fé e plantam no chão da vida as sementes do porvir. E aos que criam hipocampos em aquários de mistério e conhecem a geometria da quadradura do círculo.
Feliz Natal a quem se embebe de chocolate na esbórnia pascal da lucidez crítica e não receia pronunciar palavras onde a mentira costura bocas e enjaula consciências. E a todos que, com o rosto lavado de maquiagens de Narciso, dobram os joelhos à dignidade dos carvoeiros.
Feliz Natal a todos que sabem voar sem exibir as asas e abrem caminhos com os próprios passos, inebriados pelos ecos de profundas nostalgias. E aos que decifram enigmas sem revelar inconfidências e, nus, abraçam epifanias sob cachoeiras de magnólias. Feliz natal aos que saboreiam alvíssaras nos bosques onde vicejam anjos barrocos e nadam suas gorduras deixando os cabelos brancos flutuarem sobre a saciedade dos anos bem vindos. E a todos que dão ouvido à sinfonia cósmica e, nos salões da Via Láctea, bailam com os astros ao ritmo de siderais incertezas.
Feliz Natal também aos infelizes, aos tíbios e aos pusilânimes, aos que deixam a vida escorrer pelo ralo da mesquinhez e, no calor de seus apegos, vêem seus dias evaporar como orvalho aquecido pelo alvorecer do verão. Queira Deus que renasçam com o Menino que se aconchega em corações desenhados na forma de presépios.


(Frei Beto)

por Andarilha descalça * 2:09 PM

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[Sexta-feira, Dezembro 08, 2006]


ANDANDO EM CÍRCULOS
Fabíola Kruse


Tornei-me atriz, vesti-me de rendas e iludida, criei um palco para encenar a vida.
Tracei planos secretos, andando a esmo e nas minhas fantasias, com os olhos vagabundos a espreitar o mundo, procurava um ponto de chegada, mas nada enxergava, múltiplas emoções perdidas,
despercebidas.


Andando em círculos, não enxergava minha passagem pelo tempo, minha vida e sentimentos flutuavam com emoções desencontradas de tão perdida encontrava-me.
Decidida a sair da roda viva, dei um toque,
conectei-me a vida e com pressa na chegada, acelero minha marcha.


Reencontro o sentido da minha caminhada e perplexa, vem-me o gosto pela liberdade o perdão sentido, orgulho não mais ferido, no meu coração a felicidade fez morada.
A energia flui, encantamento cresce,
corpo abranda, a imprenssão que fica, a alma levita.


Relaxo, esqueço as revelações passadas, defino minhas limitações vivendo o presente, como um presente ganho das lições que na pele senti.
Desconsidero meu atraso, meus erros, encenações e fantasia descabida, pára amorosamente abrindo os braços, reverenciar o retorno á vida.


por Andarilha descalça * 3:32 PM

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[Sábado, Dezembro 02, 2006]


Escrever


Você começa quando aprende a juntar as letras; faz frases engraçadinhas que seu avô acha gênio e mostra a todo mundo. Então você se convence de que é escritor. Essa convicção representa um compromisso, desde aquela idade remota, "já que é um escritor, é obrigado a escrever". Se os pais são medíocres intelectualmente, o exercício da suposta vocação torna-se fácil.

Mas quando os pais são ou literatos ou simples letrados muito mais lhe é exigido. Você tem que apresentar originalidade ao lado da qualidade. Isso quer dizer que você, desde esses inícios, já padece a maldição do escritor: ter estilo e idéias animando esse estilo. Em geral, os pais se embasbacam diante de qualquer manifestação intelectual precoce dos filhotes. Se eles não têm formação intelectual sofisticada, tudo bem. Qualquer paráfrase dos livros da escola já lhes parece excelente. Mas pais sofisticados é fogo. Não precisa nem que eles leiam os modernos, Drummond, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, para só citar os mais ilustres e defuntos. Pai letrado quer que o filho faça pequenas frases, emita conceitos, tudo dentro da baixa qualidade que a sua literatice considera excelente. Portanto, para a qualidade da obra do filho, é melhor que os pais não tenham fumaças literárias e deixem que o menino seja o seu próprio juiz.

E, se ele tiver talento, pode ir longe, liberto dos padrões da mediocridade doméstica. Esse tipo de condenação não se pode fazer aos pais que realmente ou produzem ou pelo menos sabem apreciar uma boa peça literária. O filho, em geral, esconde deles as suas primícias, receoso do julgamento. E ele se faz censor de si mesmo, olhando com os olhos do pai aquilo que o pai não vê. Existe ainda outra maneira de ver estimulada a vocação literária dos jovens. É uma casa aberta onde todo mundo lê, o bom e o ruim, mas onde igualmente todo mundo tem direito à crítica, a falar o que pensa sobre a produção de pais, irmãos, tios e visitas íntimas, numa espécie de tribunal literário exercido à mesa de jantar. Lembro-me da casa de Aníbal Machado, ponto obrigatório dos principiantes ou recém-chegados que lá iam (levados por algum "freguês" semanal de Aníbal).

Sendo o dono da casa quem era, além de excelente escritor ele próprio, um animador generoso e um fino crítico de letras, a sua casa era uma espécie de fórum literário, referência obrigatória de quem pretendia se apresentar como escritor: "Ainda no domingo, na casa do Aníbal, ouvi o Vinícius dizer ao Conde que o modernismo morreu..." e se desmentindo a si próprio acabava mostrando o seu último poema - fina flor do modernismo, claro.

Mas voltando ao assunto da vocação literária: para escrever, tem que haver o dom da escrita, tal como para o cantor é preciso o dom da voz. Todos conhecemos pessoas inteligentes, até brilhantes na sua especialidade - medicina, arquitetura, engenharia, economia e, na verdade, por mais sabedores que sejam no seu ofício, não conseguem exprimir na palavra escrita essa sabedoria. Deus sempre é parco na concessão de dotes: os que acumulam são sempre contados. Por que as boas cantoras líricas geralmente têm tendência a engordar? E por que as de bela silhueta quase sempre só dispõem de um fio mal afinado de voz?

Os grandes oradores dificilmente são bons escritores. Parece que eles necessitam do estímulo de uma audiência cativa para suas frases de efeito. O que desencadeia o seu talento não é uma página de papel em branco, mas uma audiência presente. E, pensando bem, isso está certo: por que um único indivíduo pode receber juntos os dons da escrita e da eloqüência? Eu, por mim, sempre espero descobrir nos outros os dons ocultos pela modéstia ou timidez. Verdade que nem sempre tenho êxito; Nosso Senhor parece que só distribui tais dotes com a mão esquerda...



Raquel de Queiroz


por Andarilha descalça * 8:03 PM

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