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Sábado, Maio 28, 2005
"O amor é paciente e bondoso. Não é invejoso, nem orgulhoso; não é arrogante, nem grosseiro. O amor não exige que se faça o que ele quer. Não é irritadiço e dificilmente suspeita do mal que os outros lhe possam fazer. Nunca fica satisfeito com a injustiça, mas alegra-se com a verdade. O amor nunca desiste, nunca perde a fé, tem sempre esperança e persevera em todas as circunstâncias." (1 Cor 13:4-7)
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:17 AM
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Quarta-feira, Maio 25, 2005
Ah, amor, errei ontem à noite! Mas de que serve confessar o arrependimento, se só me arrependo para te distrair e ter-te novamente?
Se logo errarei outra vez, e um próximo dia me verás enlouquecida com a tua possível perda. E então não medirei palavras, não controlarei a violência do meu corpo quando ameaçado. A verdade é que a tua perda me ameaça. A tua perda é uma sentença de morte.
Morte que não suporto, não permito. Teu dever é amar-me, é continuar na minha cama, na minha vida, na minha memória. Na memória que projeta teus mil retratos tirados ao longo da vida que nos atou com cordas e arame.
És meu prisioneiro como sou a masmorra em que estou mergulhada pela força do bem-querer. Que digo, bem-querer? Ah, amado, eu já te quis na primeira noite! Não tens o direito de esquecer, ainda que não me queiras reproduzindo os arrebatos que talvez hoje já não sintas.
Mas eu não sou apenas memória, também sou a dispersão. Pois sempre que relembro as noites sucedidas sem fim, desfaço-as de modo a crer que não existiram. Isto é, não existiram porque foram insuficientes, aqui estou a exigir outras noites que nos regalaremos, logo superada a amargura que nos separa agora.
(Nélida Piñon)
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:15 AM
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Terça-feira, Maio 24, 2005
Passárgada
L. . Ramirez
Passárgada que não é um lugar, é uma consciência.
E sou um morador por direito eterno.
Todos nós somos, apenas nos desterramos, viciados pelo mundo material, seus prazeres e suas comodidades. Procurando o material, não encontramos a eternidade de paz e a total
satisfação que existe dentro de nós.
Revertendo tua advertência, eu diria que só não existe o mundo perfeito pois o homem é um ser infeliz que errou o caminho da vida, enveredando por vielas sombreadas onde é assaltado diariamente pela preocupação, pela dor, acossado pelo desejo, pelo ódio
e pelo "amor" sexual que é tão idioticamente confundido com o "AMOR" real.
Passárgada está em meu coração.
Sou seu único morador.
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:28 AM
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Segunda-feira, Maio 23, 2005
Seja o Cisne
Talvez o maior desafio da vida moderna seja sermos nós mesmos em um mundo
que insiste em modelar nosso jeito de ser.
Querem que deixemos de ser como somos e passemos a ser o que os outros
esperam que sejamos.
Aliás, a própria palavra "pessoa" já é um convite para que você deixe de ser você.
"Pessoa" vem de "Persona", que significa "máscara".
É isso mesmo: coloque a máscara e vá para o trabalho.
Ou vá para a vida com a sua máscara.
Talvez o sentido do elogio:
"Fulano é uma boa pessoa", signifique na verdade:
"Ele sabe usar muito bem a sua máscara social".
Mas qual o preço de ser bem adaptado?
O número de depressivos, alcoólatras e suicidas aumenta assustadoramente.
Doenças de fundo psicológico como síndrome do pânico
e síndrome do lazer não param de surgir.
Dizer-se estressado virou lugar-comum
nas conversas entre amigos e familiares.
Esse é o preço.
Mas pior que isso é a terrível sensação de inadequação que parece perseguir
a maioria das pessoas. Aquele sentimento cristalino de que
não estamos vivendo de acordo com a nossa vocação.
E qual o grande modelo da sociedade moderna?
Querer ser o que a maioria finge que é.
Querer viver fazendo o que a maioria faz.
É essa a cruel angústia do nosso tempo: o medo de ser ultrapassado
em uma corrida que define quem é melhor, baseada em parâmetros que, no final da pista,
não levam as pessoas a serem felizes.
Quanta gente nós não conhecemos, que vive correndo atrás de metas
sem conseguir olhar para dentro da sua alma e se perguntar onde exatamente
deseja chegar ao final da corrida?
A maior parte das terapias prega que as pessoas não olham para dentro de si
com medo de encontrar a sua sombra.
Porém, na verdade, elas não olham para dentro de si por medo de encontrar
sua beleza e sua luz.
O que assusta é o receio de se deparar com a sua alegria de viver,
e ser forçado a deixar para trás um trabalho sem alegria.
Mas sejamos francos: para quê manter um trabalho sem alegria?
Só para atender às aspirações da sociedade?
Basta voltar os olhos para o passado para ver as represálias sofridas
por quem ousou sair dos trilhos, e, mais que isso, despertou nas pessoas o desejo
de serem elas mesmas.
Veja o que aconteceu a John Lennon,
Abraham Lincoln, Martin Luther King, Isaac Rabin?
É muito perigoso não ser adaptado!
Essa mesma sociedade que nos engessa com suas regras de conduta,
luta intensamente para fazer da educação um processo
de produção em massa.
Porque as pessoas que vivem como máquinas não questionam a própria sociedade.
A maioria das nossas escolas trabalha para formar estudantes
capazes de passar no vestibular.
São poucos os educadores que se perguntam se estão formando pessoas
para assumirem a sua vocação e a sua forma de ser.
As escolas de música ensinam com os mesmos métodos as mesmas músicas.
Quase todas querem formar covers de Mozart ou covers dos Beatles.
É raro um professor com voz dissonante que diga para seus alunos:
"Aqui você vai aprender idéias, para liberar o músico que existe dentro de você".
Os MBA's, tão na moda, na sua maioria, usam os mesmos livros, dão as mesmas aulas,
com o objetivo não explicitado de formar covers do Jack Welch ou do Bill Gates.
O que poucos sabem é que nenhum dos dois fez MBA.
Bill Gates, muito ao contrário disso, abandonou a idolatrada Harvard
para criar uma empresa na garagem, que se transformou na poderosa Microsoft.
Os MBA's são importantes para que o aluno aprenda alguns instrumentos de administração. Mas alguém tem de dizer ao estudante:
"Utilize essas ferramentas para implementar suas idéias, para ser intensamente você".
Quantos casos de genialidade que foram excluídos
das escolas porque estavam além do que o sistema de educação poderia suportar.
Conta-se que um professor de Albert Einstein chamou seu pai para dizer que o filho nunca daria para nada, porque não conseguia se adaptar.
Os Beatles foram recusados pela gravadora Deca!
O livro "Fernão Capelo Gaivota" foi recusado por 13 editoras!
Caetano Veloso foi vaiado quando apareceu
com a sua música "Alegria, Alegria!".
O projeto da Disney Word foi recusado por 67 bancos!
Os gerentes diziam que a idéia de cobrar um único ingresso na entrada do parque
não daria lucros.
O genial Steven Spielberg foi expulso de duas escolas de cinema antes de começar a fazer seus filmes, provavelmente porque não se encaixava nos padrões comportamentais e técnicos que a escola exigia que ele seguisse.
Só há pouco tempo é que ele ganhou um título de "honoris causa"
de uma faculdade de cinema. E recebeu o titulo pela mesma razão
que foi expulso anteriormente: ter assumido
o risco de ser diferente, por não ceder à padronização
que faz com que as pessoas pareçam seres saídos de linhas de montagem.
A lista de pessoas que precisaram passar por cima da rejeição
porque não se adaptavam ao esquema pré-existente é infinita.
A sociedade nos catequiza para que sejamos mais uma peça na engrenagem
e quem não se moldar para ocupar o espaço que lhe cabe será impiedosamente criticado.
Os próprios departamentos de treinamento da maioria das empresas fazem isso.
Não percebem que treinamento é coisa para cachorros, macacos, elefantes.
Seres humanos não deveriam ser treinados, e sim estimulados a dar o melhor de si
em tudo o que fazem.
Resultado: a maioria das pessoas se sente o patinho feio
e imagina que todo o mundo se sente o cisne.
Triste ilusão:
quase todo mundo se sente um patinho feio também.
Ainda há tempo!
Nunca é tarde para se descobrir único.
Nunca é tarde para descobrir que não existe
nem nunca existirá ninguém igual a você.
E ao invés de se tornar mais um patinho,
escolha assumir sua condição inalienável de cisne !
Roberto Shinyashiki
posted by ANDARILHA DESCALÇA 10:37 PM
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Domingo, Maio 22, 2005
" Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela.
Mas há também aquelas que fazem de uma simples
mancha amarela o próprio sol."
Picasso
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:19 AM
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Sábado, Maio 21, 2005
Tão sutilmente em tantos breves anos
Lya Luft
Tão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.
Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:37 AM
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Sexta-feira, Maio 20, 2005
URGENTE
Devoram-me por dentro urgências.
Tudo é urgente, assim pensam as gentes, e o que é para amanhã se pensa hoje para ontem. A fome de ter o poder faz definhar o ser e pode ser que até o poder seja simples razão de não ser se nada se pode para obtê-lo. A ânsia de aplacar a volúpia faz deixar de lado o prazer. O vagar hoje definha e tudo fica na pressa mal feito. Tantas coisas com defeito. Até o texto que escrevo, sem revisão ortográfica vai ficar, pois não tenho tempo para me masturbar diante da página mal escrita.
Mas deixemos de fita que a fita da vida no video rola. Está escrito: vai ficar tudo o que foi dito ... no maldito esquecimento. Um só momento é o que me basta, mas é justamente o momento tudo o que me devasta na hora apressada que surge e já se vai escoando no passado de tanto que o tempo urge. Ruge a escuridão da noite mal e mal amanheceu ainda o dia. E restou tanta coisa por fazer. Melhor deixar de manha e deixar para amanhã.
Tudo está atrasado. Ou será que estou equivocado? O almoço ainda está cru, diz o moço, o amor nem bem nasceu e já morreu, diz a moça antes mesmo de desabrochar para o sexo. Tudo anda tão desconexo e todos querem as coisas antes mesmo de ficarem maduras. É dura esta vida corrida. Pé no acelerador pela avenida para ver se ainda chego a tempo. A moça, coitada, nem pensou no que queria e já decidiu não querer. O moço, coitado, vai comer apressado um filé cru e apimentado. Abençoada é a calma para quem a tem viva na alma.
Onde ficou aquele tempo em que o tempo se espalhava pelos dias sem urgir e aspergir a ânsia nos rostos? Agora é só a pressa a distribuir desgostos. Pois nada que se faz apressado tem o dom de ser abençoado e só mesmo a eterna paciência para acabar com a demência destes tempos modernos.
por Benno Assmann
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:45 AM
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Terça-feira, Maio 17, 2005
O Gigante da Alma
Maria Aparecida Costa Teoro Alves Ângelo
Falar de amor é pisar em terreno minado.Diz a lenda que o amor é cego e é guiado pela loucura. Das muitas espécies de amor, falo hoje do amor entre um homem e uma mulher. Aquele amor que todos sentem um dia e é capaz de violar convenções e presumíveis desfechos.
Contra que sou as datas pré-estabelecidas, com o dever implícito de manifestações sentimentais impostas com dia e hora marcados, me sinto mais à vontade para falar deste assunto, num momento em que a frenética imposição comercial já cumpriu sua missão e o Dia dos Namorados já passou.
Todo dia é dia de revitalizar o amor para que não caia no comodismo da amizade, do companheirismo e de uma rotina insuportável que pode ter duas conseqüências: a primeira é a procura de novas emoções e a segunda é uma aceitação passiva que transforma os dias em sombras de preto e branco.
Por amor somos capazes de tudo. Até de odiar. O espaço entre estes dois sentimentos é tão tênue, tão sutil, que pode dar lugar a uma mágoa sem remédio, a um ódio sem perdão e a uma vingança sem critério. O amor apaixonado é tão poderoso,feito de excessos, de exageros, de extremos e implacável quando não é satisfeito
Um amor não correspondido, unilateral, sozinho escraviza o amante aos pés do ser amado e o condena à submissão de se contentar em apenas ouvir a voz e olhar de longe o objeto do amor.
Um amor adormecido, que provocado, pode ressurgir mais forte, quando o motivo desencadeador é a traição, o desprezo, a insegurança. Uma mulher traída tem força para fazer uma guerra, uma força dificilmente superada por qualquer outra que o ser humano possa sentir.
Um amor que aparece inesperadamente, que não era para ser e foi, num momento inadequado, impróprio, intempestivo e se apodera de pessoas comprometidas. Ou é sublimado e levado pela vida,carregado como o fardo do impossível, vivido platonicamente e guardado no mundo das utopias. Ou é corajosamente aceito, mesmo com a carga de dor que fatalmente atingirá todos os envolvidos.
Um amor pleno, cuja única ameaça é o medo de perdê-lo. Quando há o encontro de almas,a expectativa de ser eterno, muitos homens deixam escapar a chance de serem muito amados, porque são egoístas,insensíveis e ignorantes. Mulheres também, que se tornam seguras demais, poderosas por pensarem que terão seu homem para sempre tornam-se chatas, altivas e começam perder terreno para a mesmice, pré-requisito essencial para a chegada da outra.
O homem deveria namorar sua mulher todos os dias, dar-lhe uma flor ou um ramo da árvore da rua impregnados da certeza de que se lembrou dela. Dançar um bolero de rosto colado, mesmo em casa, dar-lhe um beijo inesperado, dizer-lhe todos os dias que a ama e quando a abraçar, fazer como se tivesse nos braços a razão de sua vida.
A mulher deve ser vaidosa, meiga, independente e companheira e surpreender sempre o seu homem com tantos artifícios que sabe fazer muito bem.
Cada um sabe que tipo de amor vive. Quem nunca sofreu por amor? Quem nunca o considerou o bem maior que se pode ter na vida? Quem nunca guardou um grande amor e não achou a pessoa certa para recebê-lo?
O Dia dos Namorados não foi ontem ou não será amanhã. É todo dia. Cultivar o sentimento com mãos de jardineiro. E quem se sente só, não se julgue excluída. Arrume um motivo para a vida. Ame a vida, mesmo porque ainda pode se lembrar do amor que certamente viveu ou sonhar com um que virá, pois o amor não tem idade e a alma permanece jovem para sempre.
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:01 AM
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Segunda-feira, Maio 16, 2005
A estória do lápis
(adaptado de Paulo Coelho)
O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa
altura perguntou:
-Você está escrevendo uma história que aconteceu
Conosco?
-E, por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
-Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto,
mais importante do que as palavras, é o lápis que
estou usando.Gostaria que você fosse como ele,
quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada
de especial. E disse:
-Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha
vida!
No entanto, a avó respondeu:
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há
cinco qualidades nele que, se você conseguir
mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo:
"Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas,
mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que
guia seus passos. Podemos chamá-la de Deus ou energia
maior, ou ainda, integridade absoluta do caráter.
"Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar
o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz
com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está
mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores,
porque elas o farão ser uma pessoa melhor".
"Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos
uma borracha para apagar aquilo que estava errado.
Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é
necessariamente algo mau, mas algo importante para nos
manter no caminho da justiça".
"Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis
não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite
que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que
acontece dentro de você".
"Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre
deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que
você fizer na vida, irá deixar traços, e procure ser
consciente de cada ação".
Prof. Ramires
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:10 AM
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Domingo, Maio 15, 2005
O homem ideal
Sandomy
Será que existe?!... ou será que como uma mulher... tentando ser uma poeta... uma escritora... uma cronista, me deixo vagar num mundo misto de fantasias, de utopias, mesclado por uma certa realidade... e dessa forma acho que ele existe... ou... ainda existe?
Qual a será a concepção que a mulher faz do um homem ideal?!...
Bem... isso é muito relativo... e deveria mesmo ser, Deus nos deu livre arbítrio, e dessa forma temos liberdade de escolher e de querer o que mais nos agrada, assim sendo, cada ser humano pensa e age de forma totalmente diferente...
Algumas diriam que o homem ideal para ela seria aquele homem de uma beleza extrema... o conteúdo não importaria, pois ela só veria a beleza física, ele simplesmente nem precisaria abrir a boca... uma mistura daquele jeito canastrão do Robert Redford, com o jeitinho desamparado e romântico do Richard Gere, a juventude do Tom Cruise, a sensualidade do Antonio Banderas e o charme especial do Sean Connery, é evidente que diante de tanta beleza, sensualidade e charme ele deveria ser um amante excelente.
Outras, mais modestas, diriam que a beleza não importaria, e sim o caráter, sendo honesto, direito, educado e gentil, ela estaria satisfeita.
Ainda existem aquelas que com medo de permanecerem sozinhas, aceitam a corte de qualquer um e levam o relacionamento em frente até um casamento, contanto que não fiquem "solteironas", e dessa forma constituem uma família, sem a base do amor e sim a base da necessidade, não são felizes e não fazem felizes as pessoas que estão a sua volta, essas nem ousam pensar num homem ideal... são as famosas "ruim com ele... pior sem ele..."
Algumas mulheres acham que o homem ideal é sempre o marido, o noivo, o namorado da amiga, eles sempre são perfeitos... já dizia minha avó... só se conhece alguém quando se convive no dia a dia, quando você dorme e amanhece com aquela pessoa... aí sim, a máscara cai e a pessoa mostra-se como realmente é, pois é impossível atuar durante 24 horas...
Bem... então, na verdade, que tipo de homem seria o ideal?!...
Partindo-se do todo, o homem ideal deveria ser aquele que juntasse todos os requisitos, o que torna a sua existência quase que impossível.
Em resumo, o homem ideal é aquele que amamos... pois como diz um ditado popular " O amor é cego", mesmo ele não sendo bonito, pra nós, é lindo e maravilhoso.
Devemos aprender a tirar coisas boas do outro, sabendo compartilhar , tornando-se cúmplices. A cobrança não pode ser somente de um lado, ambos devem ceder em alguma coisa quando necessário, para o bem do outro e vice-versa. Ao invés da irritação devemos ter paciência, pois as vezes nem nós mesmo nos agradamos, imagine uma outra pessoa conseguir nos agradar sempre em tudo.... nenhum dos dois deve sempre querer impor a sua vontade, porque as vezes quando se cede é que se ganha a batalha, pois não se ganha uma guerra somente avançando, as vezes ela é ganha quando recuamos, pois quando avançarmos de novo, teremos mais convicção e segurança do que queremos e então a vitória é só uma questão de tempo e paciência...
Devemos sempre viver um dia após o outro e não nos preocuparmos tanto com o que vai acontecer amanhã, porque dessa forma sofremos com antecedência e não vivemos intensamente o momento presente, nos entristecendo pensando na incerteza do amanhã...
Não devemos achar sempre que o outro é propriedade nossa, devemos imaginar o outro como um ser livre, que está conosco por opção e não por obrigação...
Enfim... o homem ideal, perfeito, assim também como a mulher ideal, perfeita, não existem, o que existe são pessoas imperfeitas, com defeitos, sujeitas a erros, mas sempre propensas a buscar, a acertar e encontrar a felicidade ao lado da pessoa eleita para compartilhar isso, e essa perfeição só pode ser conseguida com muito amor, muita compreensão, muito carinho e principalmente muita cumplicidade.
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:52 AM
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Sexta-feira, Maio 13, 2005
Teu Segredo
Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.
Clarice Lispector
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:13 AM
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Quinta-feira, Maio 12, 2005
O susto do amor
Artur da Távola
Por que surge, inevitável, um medo, uma angústia, embrulhados no amor? Por que certo mal-estar grudado no bom, no leve, no misteriosamente revelado, no anteriormente intuído e desejado? Por quê?
Será medo antecipado da dor da perda? Será a certeza de que alguma forma de perda cerca a alegria de cada encontro? Ou será que essa angústia é a certeza de que na vigência do amor estamos ao mesmo tempo protegidos e desguarnecidos, entregues inteiros em nossa fraqueza, desvalia, necessidade, dependência, vontade de querer?
Pode ser, ainda, que a angústia ou o medo que se associam à revelação do amor, prendam-se a alguma emoção muito antiga, a "emoção inaugural". Seria o inevitável susto diante de qualquer nova prova, talvez porque as primitivas experiências, as nossas e as da espécie, nos assustaram, não se sabe o porquê.
Há, também, a antecipação da certeza de que na vigência do amor, alguma parte antes livre começa a terminar, sucedida por graves responsabilidades: o amor gerará seres, fecundará vidas. Essa incubada certeza promove a rápida passagem de um fluxo de angústia que logo se mistura ao sentido de desabafo e alívio, determinado pela certeza de um encontro profundo.
Estar amando é, pois, sentir o medo da entrega encorajadora. É perceber-se pego em flagrante existencial, no exato momento em que roubava do próprio ser o principal tesouro escondido. É sentir-se marginal das próprias defesas. É não controlar o ficar vermelho, o encabular em hora errada (certa). Estar amando é viver em público a autodenúncia do melhor de que se é capaz.
O susto é uma forma súbita de enfrentar o que sempre tememos encontrar, aceitar ou admitir. O que nos é profundamente verdadeiro sempre vem de mãos dadas com as nossas maiores fraquezas, dependências, carências e necessidades. Daí o susto, daí a angústia, o frio gostoso do medo de amar, primo-irmão do medo de ser. Leia o idioma dos suspiros e lerá a fala do amor.
A constatação do amor trai uma pequena angústia, um medo no meio de tanta alegria! Mas condensa toda a carga do susto pela proximidade do enfrentamento da nossa verdade, seja qual for. É uma verdade da qual se tem distante noção e com a qual a gente prefere ou aprende a se relacionar apenas através de enigmas, fantasias e encantamentos, nunca com ela mesma, como é, do jeito que é.
O susto de estar amando, porém, pode ser, tão-somente, o abalo, o tremor, a inchação, o começo da excitação, aquele sentido da procura, modo e medo que faz as espécies se fundirem na noite dos tempos, na eterna tarefa de perpetuar a vida, não se sabe o porquê. Só se sabe que é bom, necessário, imperioso, determinado, vital, instintivo. Futuro e passado ao mesmo tempo: medo e emoção inaugural - a emoção de estar sendo eterno no que é dolorosamente provisório.
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:03 AM
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Quarta-feira, Maio 11, 2005
Apaixonada por palavras
Paula Pimenta
Odeio cantadas. Flores não me seduzem. Chocolates então, nem pensar. O que me comove são palavras.
No caminho de casa, passo por uma pista de cooper onde têm barras e aparelhos de ginástica. Em qualquer hora do dia ou da noite, rapazes de se fazer inveja aos galãs globais puxam ferros, correm mais do que para tirar a mãe da forca, levantam pesos, malham até o dedão do pé. Ao lado deles, mocinhas soltam um suspiro para cada flexão de braço, lançam exclamações para cada bíceps trabalhado, fazem votação para definir qual peitoral é o mais sarado. Deixo tudo para elas. Tais rapazes não merecem um segundo olhar meu. Para mim, músculo em excesso é inversamente proporcional a inteligência.
Fim de semana. Depois de muita insistência, aceito o convite das minhas amigas para ir dançar, mesmo sabendo que me arrependerei. Lugar dos infernos. Quente, barulhento, enfumaçado. E ainda por cima tenho que escutar aquela mesma frase: "- E aí, gata, vem sempre por aqui?" Fico na dúvida entre vomitar, sair correndo ou fingir que sou surda.
Outra situação: O moço é lindo. Toca violão. Sabe cozinhar. Minha família gosta dele. Já estou quase convencida de que é minha alma-gêmea. E então ele me manda um cartão: "Não me canço de te olhar". É, moço, vai ter que olhar para o outro lado. Cansada estou eu de quem não sabe escrever nem em português.
Mas por que eu sou tão viciada em palavras? Por ter crescido lendo enquanto minhas amigas brincavam de pique-esconde? Por minha primeira paixão ter sido o Cebolinha? Por amar poesia desde que nasci? Não sei. O fato é que me desperta curiosidade quem sabe escrever o que pensa.
Meninos que escrevem bem têm um charme diferente. Suas palavras me acariciam de tal forma, que se tornam vitais para minha sobrevivência. Se eles têm tanto cuidado com a escrita, imagine o carinho que teriam comigo... Ah, os moços que sabem escrever! Alguns conseguem ser tão sinestésicos, que chego a perceber a voz deles por entre as linhas.
Os que mais me impressionam são os que adivinham meu pensamento, mesmo sem me conhecer. É indescritível a sensação de ler um texto e se identificar totalmente com as palavras do escritor. É como se ele tivesse roubado a idéia que eu ainda não havia tido, mas que já existia em mim. Emocionante perceber, na medida em que meus olhos vão descendo por sobre o texto, que existe alguém que pensa exatamente como eu.
Infelizmente, a recíproca não é verdadeira. O sexo masculino, no geral, ainda se sensibiliza mais com um corpo esculpido do que com a forma que as escritoras dão às suas frases.
No dia em que eu encontrar um que se importe mais com o que eu escrevo do que com a minha embalagem, eu me caso. Desde que a proposta seja feita por escrito. E que por trás daquelas palavras, existam óculos em vez de músculos.
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:10 AM
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Quinta-feira, Maio 05, 2005
Entre Amigos e Amores
Se me perguntarem hoje, qual o maior vilão das amizades, eu responderia, sem pestanejar: o amor!
- O Amor???!!!!, você questionaria, abismado. Sim, o amor! Eu novamente afirmaria.
Esse amor, que julgamos ser o único pelo resto de nossas vidas. Até que chega a próxima primavera. O amor, que no início é só compreensão, caixa de bombons, sonhar acordado, desenhos de coração nos cadernos.
Sabe por quê? Porque o amor, como vamos descobrir mais tarde, tem intrínseco o ciúme dos amigos . Ele ouve os elogios que ambos trocam, de braços cruzados, olhando de rabo de olho e até tenta entender aquela amizade tão bonita e sem más intenções. Mas a noite, quando deita em seu travesseiro e fecha os olhos no silêncio do suspense, infalívelmente aparece aquele demoniozinho interior, para cutucar sua paz, já tão instável:
_ ¿Amor, Amor, toma cuidado! Esses amigos aí estão muito abusados!¿
_ ¿Amor, não sei não, hein Amor! Essas amigas estão meio carinhosas demais, você não acha?¿
Pronto! Bastou para plantar a semente da desconfiança e, no dia seguinte, já se colhe os frutos podres da discórdia! Doces sorrisos viram lágrimas engasgadas, soluços entrecortados. Inocentes permissões se transformam em severas negações, com sérias ameaças de punição:
_ ¿Não, você não vai a lugar nenhum com esses seu amigos bêbados, esquisitos, insuportáveis, sem juízo, galinhas, etc, etc, etc OU eu não me responsabilizo!¿
É, Amor. Teu mal é andar tão junto do ciúme, este inimigo tão impiedoso. Esse ser maldito que te mortifica a mente, te escurece a alma, te lança no abismo da solidão e que te faz crer que, por ser o Amor, você, e somente você, estará sempre com a razão. Só que não está, Amor. E infelizmente, não há amor, por maior que seja, que sobreviva e saia ileso de uma tempestade de desconfianças. E saiba ainda que, se um dia, você se resolver a fazer a fatal pergunta: _ ¿Ou eu ou seus amigos!¿, estará correndo um imenso risco de ver, em meio a um triste sorriso e um adeus sem muito remorso, seu amor virando a esquina da vida e te abandonando, te deixando com a descrença em ver que o seu amor, Amor, te deixou. Prefirou os amigos. Foi você que quis assim.
O amor é tão belo quanto a rosa fresca. Mas conforme a quantidade de espinhos que se tem a enfretar para colhê-la, desiste-se e passa-se a olhar para outras flores do jardim. Já verdadeiras e importantes amizades, somente são comparadas as grandes sequóias, que tem vida longa, e cujas raízes marcam com grande profundidade a terra de nosso coração.
Mais vale um bom amigo na mão, do que dois amores voando. Talvez seja a verdade.
Por isso, antes de atender ao aflito e inseguro coração, ouça a voz da razão. Antes de ser amor, seja amigo. E nunca se esqueça que amigo, Amor, é amigo.
Marina Costa
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:16 AM
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Quarta-feira, Maio 04, 2005
Quando o amor existe
Este texto é uma divagação que pode ser REAL ou tão somente uma RACIONALIZAÇÃO.
Quem disse que o amor se reveste de paciência sem limites, doação, renúncia acho que se enganou.
O amor não é manso; é agressivo; busca com força, com desatino;
O amor não é paciente, não sabe esperar; corre atrás, laça, amordaça, quer dominar;
O amor não é só doação; dá e cobra retorno, retribuição;
O amor não é renúncia, resignação; o amor é luta.
O amor não tem preconceitos de idade; cor; nível social. Se ama em todas as idades; brancos, negros, amarelos; pobres, ricos, miseráveis. Em todos o amor tem a mesma força, o mesmo impulso, e usa as mesmas regras de conquista e posse.
O amor não é cego. Vê muito bem, reconhece no outro o que é feio no físico; mas aceita, compreende. Porém, repudia os defeitos da alma tais como a frieza de sentimentos, o egocentrismo, a vaidade fora dos limites. Às vezes tolera, mas em geral estes defeitos levam o amor a virar suas costas e partir, sem nenhuma volta.
Quem ama não espera ser buscado; busca.
Quem ama não se dobra às conveniências sociais ou econômicas; se opõe a tudo e a todos para se realizar.
Quem ama não cala seu grito; fala; expõe.
Quem ama não se encolhe dentro do próprio orgulho, mas também não suplica; não se humilha. Porém luta, tenta a conquista.
Quem ama não esquece detalhes do outro: a voz; o som dos passos; as datas importantes; as horas passadas; o riso e as lágrimas que o outro tenha entregue nos momentos de alegria ou de dor.
Amar não é perdoar o outro os seus deslizes; é aceitar o outro com seus defeitos, fraquezas e supervalorizar as qualidades.
Amar é querer o outro sempre perto. O amor não aceita distâncias; amanhãs; depois; talvez. O amor quer agora; o tempo urge; a realização não pode esperar.
Amar é querer unicidade com o outro ¿ todo dia, toda hora.
Amar é participar sempre, das alegrias, dos sucessos, dos fracassos, das dores, das derrotas.
QUEM DIZ AMAR E NÃO BUSCA ¿ NÃO ENTREGA ¿ NÃO QUER JUNTIDADE ¿
NÃO AMA ¿ APENAS SE RELACIONA.
Regina Célia
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:02 AM
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