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{Quinta-feira, Dezembro 30, 2004}

 
O ano novo está chegando

Frei Beto

Dentro de poucos dias ingressaremos em 2005. Estaremos chegando mais perto de nós mesmos? É abissal a distância entre o que somos e o que queremos ser. Um apetite do Absoluto e a consciência aguda de nossa finitude. Olhamos para trás: a infância que resta na memória com sabor de paraíso perdido, a adolescência tecida em sonhos e utopias, os propósitos altruístas. Agora, o salário exíguo num país tão caro; os filhos, sem projetos, apegados à casa; os apetrechos eletrônicos que perenizam a criança que ainda existe em nós.

Ano novo, vida nova. A começar pelo réveillon. Há o jeito velho de empanturrar-se de carnes e doces, encharcando-se de bebidas alcoólicas, como se a alegria saísse do forno e a felicidade viesse engarrafada. Ou a opção de um momento de silêncio, um gesto litúrgico, uma oração, a efusão de espíritos em abraços afetuosos.

No fundo da garganta, um travo. Vontade de remar contra a corrente e, enquanto tantos reverenciam uma garrafa de destilado, pedir colo a Deus e resgatar boas coisas: uma oração em família, a leitura espiritual, a solidão entre matas, o gesto solidário que ameniza a dor de um enfermo. Reencontrar, no ano que se inicia, a própria humanidade. Despir-nos do lobo voraz que, na arena competitiva do mercado, nos faz estranhos a nós mesmos. Por que acelerar tanto, se teremos de parar no próximo sinal vermelho? Por que não competir mais conosco em busca de melhores índices de virtudes e de valores morais, em vez de competir com o próximo?

Olhemos a cidade. As obras que beneficiam certas empresas trazem proveito à maioria da população? Melhoraram o transporte público, o serviço de saúde, a rede educacional, os sacolões? Nosso bairro tem um bom sistema sanitário, as ruas são limpas, há áreas de lazer? Participamos do debate sobre o uso de verbas públicas? O político em quem votamos teve desempenho satisfatório? Prestou contas de seu mandato?

Em política, tolerância é cumplicidade com maracutaias. Voto é delegação e, na verdadeira democracia, governa o povo através de seus representantes e de mobilizações diretas junto ao poder público. Quanto mais cidadania, mais democracia.

Convém aceitar a proposta de Jesus a Nicodemos: nascer de novo. Mergulhar em nós, abrir espaço à presença do Inefável. Braços e corações abertos também ao semelhante. Recriar-nos e apropriar-nos da realidade circundante, livre da pasteurização que nos massifica na mediocridade bovina de quem rumina hábitos mesquinhos, como se a vida fosse uma janela da qual contemplamos, noite após noite, a realidade desfilar nos ilusórios devaneios de uma telenovela.

Feliz homem novo! Feliz mulher nova!

Feliz Ano Novo, repleto de realizações!




posted by ANDARILHA DESCALÇA 11:22 PM

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{Terça-feira, Dezembro 28, 2004}

 

#009900
Carta ao coração
( Paulo Coelho )

Eu jamais te condenarei, te criticarei,
ou terei vergonha de tuas palavras.
Sei que és uma criança querida de Deus,
e Ele te guarda no meio de uma luz radiante e amorosa.
Confio em ti, meu coração.
Estou do teu lado, sempre pedirei bênçãos em minhas orações, sempre pedirei para que tu encontres a ajuda e apoio de que necessitas.
Confio no teu amor, meu coração.
Confio que irás dividir amor com quem merece ou necessita.


Que meu caminho seja o teu caminho, e que caminhemos juntos em direção à Deus.
E te peço: Confia em mim.
Saiba que te amo, e que procuro dar-te a liberdade necessária para que continues batendo com alegria em meu peito.
Farei tudo que estiver ao meu alcance para que jamais te sintas incomodado com a minha presença à tua volta.#009900


posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:10 AM

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{Domingo, Dezembro 26, 2004}

 

Feliz olhar novo

O grande barato da vida
é olhar para trás
e sentir orgulho da sua história.
O grande lance
é viver cada momento
como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças.
É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...
mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar
pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo
por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem.
2004 foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações,
mas também cheio de problemas e desilusões.
Normal.
Às vezes se espera demais das pessoas.
Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou,
o amor que acabou.
Normal.
2005 não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio muda,
mas o homem é cheio de imperfeições,
a natureza tem sua personalidade
que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí?
Fazer o quê? Acabar com seu dia?
Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido,
o mal educado. Ele passou na sua vida.
Não pode ser responsável por um dia ruim...
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte.
Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3, a dos amigos.
Ou mude de classe, transforme-o em colega.
Além do mais, a gente, provavelmente,
também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou?
Beleza, não tava na hora,
não deveria ser a melhor coisa pra esse momento
(me lembro sempre de um lance que eu adoro:
CUIDADO COM SEUS DESEJOS,
ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE).
Chorar de dor, de solidão, de tristeza,
faz parte do ser humano.
Não adianta lutar contra isso.
Mas se a gente se entende
e permite olhar o outro e o mundo com generosidade,
as coisas ficam diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
2005 pode ser um ano especial, muito legal,
se entendermos nossas fragilidades
e egoísmos e dermos a volta nisso.
Somos fracos, mas podemos melhorar.
Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
2005 pode ser o bicho,
o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular...
ou...
Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Pode ser.
E que seja!!!
Feliz olhar novo!!!
Que a virada do ano não seja somente uma data,
mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos
e que desejamos,
afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade
somente se fizermos jus e acreditarmos neles!"

(AD)


posted by ANDARILHA DESCALÇA 8:55 PM

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{Segunda-feira, Dezembro 20, 2004}

 

O susto do amor
Arut da Távola

Por que surge, inevitável, um medo, uma angústia, embrulhados no amor? Por que certo mal-estar grudado no bom, no leve, no misteriosamente revelado, no anteriormente intuído e desejado? Por quê?

Será medo antecipado da dor da perda? Será a certeza de que alguma forma de perda cerca a alegria de cada encontro? Ou será que essa angústia é a certeza de que na vigência do amor estamos ao mesmo tempo protegidos e desguarnecidos, entregues inteiros em nossa fraqueza, desvalia, necessidade, dependência, vontade de querer?

Pode ser, ainda, que a angústia ou o medo que se associam à revelação do amor, prendam-se a alguma emoção muito antiga, a "emoção inaugural". Seria o inevitável susto diante de qualquer nova prova, talvez porque as primitivas experiências, as nossas e as da espécie, nos assustaram, não se sabe o porquê.

Há, também, a antecipação da certeza de que na vigência do amor, alguma parte antes livre começa a terminar, sucedida por graves responsabilidades: o amor gerará seres, fecundará vidas. Essa incubada certeza promove a rápida passagem de um fluxo de angústia que logo se mistura ao sentido de desabafo e alívio, determinado pela certeza de um encontro profundo.

Estar amando é, pois, sentir o medo da entrega encorajadora. É perceber-se pego em flagrante existencial, no exato momento em que roubava do próprio ser o principal tesouro escondido. É sentir-se marginal das próprias defesas. É não controlar o ficar vermelho, o encabular em hora errada (certa). Estar amando é viver em público a autodenúncia do melhor de que se é capaz.

O susto é uma forma súbita de enfrentar o que sempre tememos encontrar, aceitar ou admitir. O que nos é profundamente verdadeiro sempre vem de mãos dadas com as nossas maiores fraquezas, dependências, carências e necessidades. Daí o susto, daí a angústia, o frio gostoso do medo de amar, primo-irmão do medo de ser. Leia o idioma dos suspiros e lerá a fala do amor.

A constatação do amor trai uma pequena angústia, um medo no meio de tanta alegria! Mas condensa toda a carga do susto pela proximidade do enfrentamento da nossa verdade, seja qual for. É uma verdade da qual se tem distante noção e com a qual a gente prefere ou aprende a se relacionar apenas através de enigmas, fantasias e encantamentos, nunca com ela mesma, como é, do jeito que é.

O susto de estar amando, porém, pode ser, tão-somente, o abalo, o tremor, a inchação, o começo da excitação, aquele sentido da procura, modo e medo que faz as espécies se fundirem na noite dos tempos, na eterna tarefa de perpetuar a vida, não se sabe o porquê. Só se sabe que é bom, necessário, imperioso, determinado, vital, instintivo. Futuro e passado ao mesmo tempo: medo e emoção inaugural - a emoção de estar sendo eterno no que é dolorosamente provisório


posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:30 AM

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{Sexta-feira, Dezembro 17, 2004}

 

Pequena Crônica Natalina
Djanira Pio

No pequeno presépio natalino, o Menino, Maria e José valorizam a família com
admirável serenidade.
Nessa data simbólica, todos tentam ser felizes.
O Bom Velhinho se faz presente e muitos esquecem do Menino permitindo que
Papai Noel seja o personagem principal.
As luzes continuam iluminando, mas a noite passa e se não renovarmos a fé
acordaremos órfãos mais uma vez.



posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:09 AM

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{Terça-feira, Dezembro 14, 2004}

 

Carta de Clarice Lispector a uma amiga

Berna, 2 de janeiro de 1947

Querida, Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perde o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades - depois disso fica-se um pouco um trapo.

Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar e contar experiências minhas e dos outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos leva de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu... em que pese a dura comparação... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que me leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida - que não era maravilhosa mas era uma vida - eu me transforme inteiramente.

Uma amiga, um dia, encheu-se de coragem, como ela disse e me perguntou: "Você era muito diferente, não era?". Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinqüenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria necessidade de lhe dizer, então. Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você mesma uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver.

Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia - será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma. Tua Clarice .
posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:51 AM

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{Domingo, Dezembro 12, 2004}

 

Que viva o amor!
Ciro Pessoa

Todos querem viver o amor. De preferência, o amor pronto, enlatado, com bula, bóia, cinto de segurança, certificado de garantia, devolução em caso de quebra e, se não for muito caro, com air-bag. Ou senão o amor perfeito dos personagens de filmes e novelas. Aquele amor de beijos em campinas floridas e solenes abraços à beira-mar. Muitos optam pelo amor que é uma derivação de filmes publicitários. Do tipo que confunde amor com uma batedeira ergométrica digitalizada com vista para um playground com três piscinas, frota de carros brilhantes e crianças correndo livres, belas e soltas.

Querem saber? Acho isso tudo uma grande piada e um tanto quanto perigosa. Porque definitivamente o amor não é um jogo para precavidos e medrosos. Estes sempre vão se dar mal. São perdedores em potencial. O amor é atroz. É sobrevivência em alto-mar. Turbulência e calmaria incessantes. Ninguém é zen o tempo todo. Como disse o poeta Caetano Veloso, "de perto ninguém é normal". E, convenhamos, o amor é, antes de tudo, olhar alguém de perto. Se, ao primeiro sinal de insanidade, destempero, seja lá o que for, desistirmos do amor... talvez seja melhor trocar a experiência da paixão por uma filiação num Clube de Escoteiros. Leis seguras. Dia após dia. Tudo certo.

Recorro a Arthur Rimbaud. Vou até a estante e pego Uma Estação no Inferno. Abro o volume com cuidado. Suas páginas estão com marcas de mofo. Procuro pelo verso que sei de cor: "É notório que o amor está para ser reinventado". Rimbaud nasceu em 1854. Desconfio de tudo que li sobre o amor. Exceto deste verso.

Ciro Pessoa acredita no amor

posted by ANDARILHA DESCALÇA 8:02 PM

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{Segunda-feira, Dezembro 06, 2004}

 

Uma relação a dois
Dr.Dráuzio Varela

"Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois."



posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:10 AM

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{Sábado, Dezembro 04, 2004}

 

AS DORES DO AMOR

Dizem que existem duas dores no amor, que doem fundo.
Uma delas, é quando a relação termina unilateralmente, ou seja alguém termina um relacionamento, mas o amor persiste em um dos lados que, logicamente não se conformará facilmente com o fato de não mais ser amado. Não é fácil acostumar-se com a ausência de quem queríamos a nosso lado. Perguntamo-nos porque fomos rejeitados, não nos conformando por não sermos amados com a mesma intensidade que amamos.
E isso dói fundo em nossa alma. Sentimos falta dos beijos, dos abraços, daquelas ternas carícias, e perguntamo-nos como tanto amor pode acabar.
Mas acabou, e torna-se necessário substituí-lo, para não ficar apenas nas lembranças. Temos que nos dar a chance de vivermos novamente. Se não foi possível com um amor, será com outro. Não podemos deixar de viver, apesar da dor.
Por paradoxal que possa parecer, a segunda dor é justamente essa ¿operação limpeza¿ que precisamos fazer, pois teremos que esvaziar nosso coração, deletando a saudade que teimosamente lá permanece. Não é muito fácil remover de nosso interior tudo aquilo que lá temos enraizado. Mas é imperioso fazê-lo, mesmo que nos doa, pois se não o fizermos, a dor continuará doendo, e não conseguiremos viver um novo amor dessa maneira.
Estranhamente vai nos doer para livrarmo-nos dessa dor. Algo como a picada da anestesia que o dentista aplica antes de extrair o dente. O efeito da anestesia ainda permanecerá algum tempo, deixando-nos como que adormecidos... Mas que alívio depois. Assim será a ¿extração das lembranças perdidas¿. Vai doer... mas passa logo, e a vida estará novamente à nossa frente, esperando que a vivamos com renovada alegria de viver.
Na realidade, o que atrapalhava era aquela necessidade masoquista de curtirmos a tristeza do amor perdido. Perdíamo-nos nas lembranças dos gostosos momentos vividos, fechando os olhos para a possibilidade de revivermos as mesmas alegrias ao lado de outro alguém. Ninguém é totalmente insubstituível. Não podemos ficar eternamente apegados ao amor tanto quanto à pessoa que amamos. Precisamos esquecê-lo para voltar a viver com alegria, mesmo que sempre fique aquela lembrança guardada lá no fundo, pois um amor verdadeiro, jamais será esquecido totalmente, mas podemos tê-lo como um momento bom vivido, e que já acabou.
Embora deixando boas recordações, acabou, e a vida continua.
Certamente essa será uma dor mais amena, quase imperceptível. Não mais a querermos a nosso lado, mas a queremos em nossa saudade. Estranho, não? Mas a capacidade de amar nos faz ver que estamos vivos. Então, para melhor nos livrarmos dessa dor, nada como a anestesia de um novo amor.
Uma pequena frase de L¿Inconnu:

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.

É um fato, pois quando nos entregamos a um amor, deixamos algo de nós junto a esse amor, e ao nos despedirmos dele, seja por qual motivo for, esse algo nosso irá junto.
Exatamente por isso, é que precisamos sempre nos reciclar para continuar vivendo, e a vida sempre será boa, seja com um amor por toda a vida, ou com muitos amores a serem vividos enquanto vivermos.
Como a amizade é a forma mais linda de amor, é que precisamos sempre manter as boas amizades, para não perdermos muitos pedaços nossos, sempre vivendo em paz, e tendo UM LINDO DIA.
( Marcial Salaverry )
posted by ANDARILHA DESCALÇA 2:06 PM

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{Sexta-feira, Dezembro 03, 2004}

 

Aprendendo a viver antes do dia partir...
Professor RAMIREZ

O que valeu a pena hoje?
Sempre tem alguma coisa. Um telefonema. Um filme...
Paulo Mendes Campos, em uma de suas crônicas reunidas no livro "O Amor
Acaba", diz que devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inutilmente.
Eu tenho, há anos, isso como lema. É pieguice, mas antes de dormir, quando o
dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar, eu penso: o que valeu a
pena hoje? Sempre tem alguma coisa. Uma proposta de trabalho. Um telefonema.
Um filme. Um corte de cabelo que deu certo.
Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha iluminado o que andava escuro
dentro da gente.
Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo: ganhar um aumento,
ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma licitação,
ganhar uma partida. Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram
centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente
são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem
cultivando sua angústia existencial com carinho e uísque, mesmo já tendo seu
superapartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.
Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes.
Uma segunda-feira valeu por um programa de rádio que fez um tributo aos
Beatles e que me arrepiou, me transportou para uma época legal da vida, me
fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim.
Na terça, meu dia não foi em vão porque uma pessoa que amo muito recebeu um
diagnóstico positivo de uma doença que poderia ser mais séria.
Na quarta, o dia foi ganho porque o aluno de uma escola me pediu para tirar
uma foto com
ele.
Na quinta, um amigo que eu não via há meses ligou me convidando para
almoçar.
Na sexta, o dia não partiu inutilmente, só por causa de um cachorro-quente.
E assim correm os dias, presenteando a gente com uma música, um crepúsculo,
um instante especial que acaba compensando 24 horas banais.

Claro que tem dias que não servem pra nada, dias em que ninguém nos
surpreende, o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas, sem
falar naqueles dias em que tudo
dá errado: batemos o carro, perdemos um cliente e o encontro da noite é
desmarcado.
Pois estou prá dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial, só que
não ficaremos sabendo disso na hora, e sim lá adiante, naquele lugar chamado
futuro, onde tudo se justifica.
É muita condescendência com o cotidiano, eu sei, mas não deixar o dia de
hoje partir inutilmente é o único meio de a gente aguardar com entusiasmo o
dia de amanhã...Tudo o que acontece deve valer a pena.
Tem coisa melhor do que:
Tomar um banho de cachoeira num dia de verão
Andar de moto com quem você gosta na garupa e ir apreciando a paisagem.
Comer truta naquele restaurantezinho que ela adora.
Tomar vinho com queijo ao lado dela, junto da lareira numa noite de inverno.
Sair da sauna , se jogar na piscina e ficar vendo as estrelas no céu.
Ficar ouvindo o canto do sabiá, em silêncio.
Fazer uma caminhada pela montanha e ir parando prá apreciar a paisagem.
Rir a ponto de não agüentar mais.
Ver aquele programa na TV que vc mais gosta, enroscado nela.
Tomar um banho quente num dia de muito frio.
Receber e- mail de alguém que vc gosta e que não manda nunca.
Dirigir lentamente por um lindo caminho.
Escutar sua musica favorita tocar no radio.
Deitar na cama e escutar a chuva cair.
Sentir o cheiro de terra molhada.
Pegar aquela chuva de verão e dar um beijo na chuva.
Tomar aquele banho e dormir na sua própria cama depois de acampar durante 4
dias.
Toalhas ainda quentes, recém passadas.
Um milkshake de chocolate.
Uma ligação de alguém que esta distante.
Um banho de espuma. Risadinhas.
Uma boa conversa.
A Praia.
Achar uma nota de R$50 no casaco do inverno passado.
Rir de você mesmo.
Ligações depois da meia-noite que duram horas.
Rir sem motivo nenhum.
Ter alguém pra dizer o quanto você é legal.
Rir de algo que acabou de lembrar.
Amigos.
Acidentalmente ouvir alguém falando bem de você.
Acordar e descobrir que ainda pode dormir por mais algumas horas.
Gastar tempo com os velhos amigos ou fazer novos.
Ter alguém mexendo no seu cabelo.
Sonhar com coisas boas.
Realizar um sonho antigo.
Tomar chocolate quente, junto com quem você gosta.
Viajar com os amigos.
Balançar naqueles balanços de parquinho.
Empacotar presentes debaixo da arvore de Natal enquanto come biscoito de
chocolate.
Letras de musica no encarte do seu novo CD pra poder cantar junto sem se
sentir idiota.
Ir a um ótimo show.
Ganhar um jogo super disputado.
Fazer bolo de chocolate. E raspar a panela da calda.
Ganhar dos amigos biscoitos feitos em casa.
Gastar tempo com amigos chegados.
Ver sorrisos e risadas dos seus amigos.
Segurar na mão de alguém que você realmente gosta.
Encontrar um velho amigo e perceber que algumas coisas (boas ou ruins) nunca
mudam.
Ver a expressão no rosto de alguém quando abre o seu tão esperado presente.
Olhar o nascer do sol.
Parar o que estiver fazendo para apreciar o por do sol.
Conseguir enxergar essas pequenas coisas boas da vida e saber dar valor,
muito valor a isso.
Ter sorte.
Acordar toda manhã e agradecer por estar com saúde.
Muitas pessoas pensam que a felicidade somente será possível depois de
alcançar algo, mas a verdade é que deixar para ser feliz amanhã é uma forma
de ser infeliz.
E a gente pode aprender com as coisas que vão acontecendo no dia- a ¿ dia.
Eu por, exemplo procuro tirar lições disso.
Aprendi que se aprende errando;
Que crescer não significa fazer aniversário;
Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem;
Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro;
Que amigos a gente conquista mostrando o que somos;
Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim;
Que a gente deve aprender a aceitar as qualidades e defeitos dos amigos
E espera que eles façam o mesmo com a gente;
Que a maldade se esconde atrás de uma bela face;
Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela;
Que quando penso saber de tudo vi que ainda não aprendi nada;
Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida;
Que amar significa se dar por inteiro;
Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos;
Que se pode conversar com estrelas;
Que se pode confessar com a Lua;
Que se pode viajar além do infinito;
Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde;
Que dar um carinho também faz...
Que sonhar é preciso;
Que se deve ser criança a vida toda;
Que nosso ser é livre;
Que não deve-se proibir nada em nome do amor;
Que o julgamento alheio não é importante;
Que o que realmente importa é a Paz interior;
Aprendi que não se pode morrer, prá se aprender a viver...
VIVA A VIDA
Nós nos convencemos de que a vida ficará melhor algum dia, quando nos
casarmos, quando tivermos um filho e, depois, outro.
Então, ficamos frustrados, porque nossos filhos não tem idade suficiente e
seria muito melhor se tivessem.
Depois, nos frustramos porque temos filhos adolescentes e temos de lidar com
eles.
Certamente seremos mais felizes quando nossos filhos tiverem ultrapassado
essa fase.
Dizemos que nossa vida só será completa quando nosso cônjuge conseguir o que
busca, quando tivermos comprado um carro melhor, ou tivermos condições de
fazer uma viagem longa ou ainda quando estivermos aposentados.
A verdade é que não há melhor época para ser feliz do que agora mesmo!
Se não, quando? Sua vida será sempre cheia de desafios. Melhor admitir isto
para você mesmo e decidir ser feliz de qualquer modo.
Uma das minhas 'frases' favoritas é:
¿Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de
verdade. Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado
antes de começar a viver - um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.
Ai sim, a vida de verdade começaria. Por fim, cheguei a conclusão de que
esses obstáculos eram a minha vida de verdade¿.
Essa perspectiva tem ajudado a ver que não existe um caminho para a
felicidade. A felicidade é o caminho!
Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial
o suficiente para passar seu tempo... e lembre-se que o tempo não espera
ninguém. Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade; até que
você volte para a faculdade; até que você perca 5 quilos; até que você ganhe
5 quilos; até que você tenha tido filhos; até que seus filhos tenham saído
de casa; até que você se case; até que você se divorcie; até sexta a noite;
até segunda de manhã; até que você tenha comprado um carro, moto ou uma casa
nova; até que seu carro, moto ou sua casa tenham sido pagos; até o próximo
verão, primavera, outono, inverno; até que você esteja aposentado; até que
a sua musica toque; até que você tenha terminado seu drink; até que você
esteja sóbrio de novo; até que você morra,
e decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO...
Felicidade é uma viagem, não um destino.
Por isso...
Trabalhe como se você não precisasse de dinheiro.
Ame como se você nunca tivesse se machucado.
Auxilie como se fosse rotina.
Não coma e beba como se fosse a última vez.
Brinque como se fosse criança, junto a seus filhos.
Perdoe como gostaria que fosse perdoado.
E dance como se ninguém estivesse olhando!

Aproveite cada momento como se fossem gotas de orvalho da vida. Os bons são
para serem lembrados. Os maus para servir de lição para que não se repitam
os erros.
FELICIDADE A TODOS!!!!

posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:44 AM

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{Quinta-feira, Dezembro 02, 2004}

 


A estória do lápis (adaptado de Paulo Coelho)

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa
altura perguntou:
-Você está escrevendo uma história que aconteceu
Conosco?
-E, por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
-Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto,
mais importante do que as palavras, é o lápis que
estou usando.Gostaria que você fosse como ele,
quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada
de especial. E disse:
-Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha
vida!
No entanto, a avó respondeu:
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há
cinco qualidades nele que, se você conseguir
mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo:

"Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas,
mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que
guia seus passos. Podemos chamá-la de Deus ou energia
maior, ou ainda, integridade absoluta do caráter.

"Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar
o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz
com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está
mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores,
porque elas o farão ser uma pessoa melhor".

"Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos
uma borracha para apagar aquilo que estava errado.
Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é
necessariamente algo mau, mas algo importante para nos
manter no caminho da justiça".

"Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis
não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite
que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que
acontece dentro de você".

"Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre
deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que
você fizer na vida, irá deixar traços, e procure ser
consciente de cada ação".


posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:06 AM

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