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{Terça-feira, Agosto 31, 2004}

 

"O Silêncio das Palavras"


"Quando o coração anda em silêncio,

dou para falar de pedras, de ruas,

ou de amores alheios.

Falo dos jardins que meus olhos alcançam,

dos sentimentos arredios a mim,

de imagens que não possuo.

Me distraio em pensamentos distantes,

em plena consciência de mim mesma.

Não ha laço ou linha que me afaste de mim.

Nada que me tire do prumo.

Nada que me turbilhone o ser.

Melhor assim...

Mas, as palavras, elas sim,

respiram paixão, vivem de tempestades...

Elas sufocam na calmaria e se perdem.

Palavras precisam sentir e morrem quando a alma silencia."


posted by ANDARILHA DESCALÇA 10:14 AM

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{Sábado, Agosto 28, 2004}

 

Solidão
Vinicius de Moraes

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:15 AM

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{Sexta-feira, Agosto 27, 2004}

 

Arrisque Tudo
Shree Rajneesh Soma

A vide exige enorme coragem. Os covardes apenas existem, não vivem, porque toda a vida deles é orientada pelo medo, e uma vida orientada pelo medo é pior do que a morte. Eles vivem em um tipo de paranóia, eles têm medo de tudo; e não apenas de coisas reais, eles temem coisas irreais também. Eles têm medo do inferno, têm medo de fantasmas, têm medo de Deus. Temem mil e uma coisas que eles próprios, ou outros como eles, imaginaram. O medo é tão grande que se torna impossível de viver.

Somente os corajosos podem viver. A coragem e o primeiro passo a ser aprendido. Apesar de todos os medos, temos que começar a viver. E por que é preciso coragem para viver? Porque a vida é insegurança. Se você fica preocupado demais com proteção, segurança, você permanecerá confinado a um pequeno cantinho, quase que em uma prisão, constituída por você mesmo. Será seguro, mas não será vivo. Será seguro, mas não terá aventura, não terá êxtase.

A vida consiste em explorar, entrar no desconhecido, alcançar as estrelas! Seja corajoso e deposite tudo aos pés da vida; nada é mais valioso. Não sacrifique sua vida por pequenas coisas - dinheiro, segurança; nada disso tem valor. Cada um deve viver sua vida tão totalmente quanto possível; somente então surge a alegria, somente então o transbordamento da graça divina se torna realmente possível.

Aqueles que realmente desejam viver, têm de correr muitos riscos. Têm de se mover sempre no desconhecido. Têm de aprender uma das lições mais fundamentais: que não existe lar; que a vida é uma peregrinação - sem começo, sem fim. Sim, existem lugares onde você pode descansar, mas são apenas paradas de uma noite e, pela manhã, você deve partir novamente. A vida é um movimento constante, nunca chega a qualquer fim; é por isso que a vida é eterna.

A morte tem um começo e um fim.

Mas você não é morte, você é vida.

A morte é uma concepção errada. As pessoas criam a morte, porque anseiam por segurança. É o desejo de segurança e proteção que cria a morte, que o faz temer a vida, que o faz hesitar em penetrar no desconhecido.

posted by ANDARILHA DESCALÇA 8:36 AM

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{Quinta-feira, Agosto 26, 2004}

 

A Soma Dos Talentos

Se a nota dissesse:

¿Não é uma nota que faz a música¿... Não haveria a sinfonia.

Se a palavra dissesse:

¿Não é uma palavra que faz uma página¿... Não haveria o livro.

Se a pedra dissesse:

¿Não há pedra que possa montar uma parede¿... Não haveria casa.

Se a gota dissesse:

¿Uma gota d`água não faz um rio¿... Não haveria Oceano.

Se o grão dissesse:

¿Não é um grão que semeia um campo¿... Não haveria colheita.

Se o homem disser:

¿Não é um gesto de amor que pode salvar a Humanidade¿... Jamais haverá justiça, paz, dignidade e felicidade na terra.

Assim como a sinfonia precisa de cada nota;

Assim como o livro precisa de cada palavra;

Assim como a casa precisa de cada pedra;

Assim como o oceano precisa de cada gota d`água;

Assim como a colheita precisa de cada grão de trigo...

A Humanidade precisa de você!

E precisa de você onde você estiver, único e portanto insubstituível.

E você?... O que está esperando para se comprometer?

(Luiz Almeida Marins Filho, Ph,D).


posted by ANDARILHA DESCALÇA 2:12 PM

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{Quarta-feira, Agosto 25, 2004}

 

A Lição de Buda

Buda estava reunido com seus discípulos certa manhã, quando um homem se aproximou.

- Existe Deus? -- perguntou.

- Existe ¿ respondeu Buda.

Depois do almoço, aproximou-se outro homem.

- Existe Deus? - quis saber.

- Não, não existe ¿ disse Buda.

No final da tarde, um terceiro homem fez a mesma pergunta:

- Existe Deus?

- Você terá que decidir ¿ respondeu Buda.

- Mestre, que absurdo! - disse um dos seus discípulos ¿ como o senhor dá respostas diferentes para a mesma pergunta?

- Porque são pessoas diferentes ¿ respondeu o iluminado ¿ E cada uma se aproximará de Deus à sua maneira: através da certeza, da negação e da dúvida.

(In: Maktub, Paulo Coelho, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1994).

posted by ANDARILHA DESCALÇA 1:30 PM

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{Terça-feira, Agosto 24, 2004}

 

A Coerência de Gandhi

A mãe trouxe seu filho ao Mahatma Gandhi. Ela implorou:
Por favor Mahatma. Diga ao meu filho que ele pare de comer açúcar.
Gandhi fez uma pausa e disse:
Traga seu filho de volta em duas semanas.
Confusa, a mulher agradeceu e disse que faria o que o Mahatma pediu.
Duas semanas mais tarde ela retornou com seu filho. Gandhi olhou o jovem nos olhos e disse:
Pare de comer açúcar.
Agradecida mas inconformada, a mulher perguntou:
Mahatma, por que o senhor me pediu para trazê-lo em duas semanas? O senhor poderia ter dito a ele, como fez agora, há duas semanas atrás¿.
Gandhi responde:
Duas semanas atrás, eu estava comendo açúcar.

posted by ANDARILHA DESCALÇA 11:47 AM

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{Segunda-feira, Agosto 23, 2004}

 

"O Amor devia ser Simples..."

O amor devia ser simples
simples como um sorriso, um olhar, uma palavra.
Simples como uma brisa que atravessa a alma
anunciando uma tempestade ha muito esperada.
Devia ser simples
o encontro de duas pessoas.
Quem, dos que ainda não encontraram,
não imagina que ele ou ela
está lá fora, em algum lugar.
Talvez bem ao lado,
talvez a milhares de quilômetros.
E a certeza de que este certo alguém existe
enche de esperança o coração
quando cruzamos um olhar mais profundo,
mais forte, mais...
Quando achamos que o código secreto foi decifrado.
Quando as teias das ruas
e do destino nos levaram àquele momento.
Que não pode ser casual,
não pode ser banal,
não pode ser simples.
Porque, finalmente,
o grande amor não se sujeita a ser simples.
Ele é composto.
Simples, é ser só.

Stormy
posted by ANDARILHA DESCALÇA 2:33 PM

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{Domingo, Agosto 22, 2004}

 



A flor e o vento
J.B.Xavier e Fernanda Guimarães

O Vento rolava no penhasco, e depois de tocar o oceano, atirando-o contra o rochedo, elevava aos céus o espumaredo. Então, subia em desespero a escarpa, onde no mais alto de seus promontórios, no tronco do velho carvalho, pendente sobre o abismo, a orquídea o aguardava entre sorrisos de amor.

Podia-se sentir a fragrância que dela emanava, quando as primeiras luzes da manhã, acarinhavam suas pétalas. Seus matizes atraíram os olhares do vento, desde a primeira vez, quando viu o sol deitar-se sobre ela , atiçando ainda mais seu cintilar. Como se isso fosse possível...

Não se contivera em apenas fitá-la. Rendido, aproximou-se, vestido de aragem, num primeiro momento. Com sua mansuetude, despertou a atenção da linda orquídea. O coração da aragem pulsou descompassadamente e sem que percebesse, voltou a transformar-se em vento, dada a emoção que em si avolumava-se, quando em pensamentos, percebia-se em frêmito, ansiando aquela flor sempre tocar.

Rodopiava faceiro, espalhando folhas, e num breve instante a abraçava em doido anseio, balançando suas pétalas brilhantes em acintosa felicidade, para o mar que bramia lá embaixo.

Ensandecido, o oceano, enciumado, alteava-se em ondas poderosas que despedaçavam a rocha, tentando alcançar a flor maravilhosa que há muito tomara seu coração, e, quando a via nos redemoinhos do vento, seu troar fazia tremer o penhasco e até o velho carvalho oscilava na beira do precipício.

O rugido do oceano era audível nos mais longínquos recantos do universo. Havia um agitar frenético que feria os ouvidos da natureza. Nessas ocasiões, o coração da orquídea batia assustado e gotas de orvalho, deslizavam gritando em suas pétalas aflitas.

Átimos durava a felicidade do vento. Então ele partia, repetindo a agonia que era sua sina desde o início dos tempos. Buscava eternizar aquele breve contato, mas ainda que tentasse, jamais poderia permanecer. Enquanto se despedia, levava em seu âmago a fragrância da orquídea e assim, encontrava forças para cumprir sua missão. Seu destino era correr o mundo, viajar por terras distantes, assobiar no cume das dunas de desertos longínquos, percorrer bosques de eucaliptos perfumados e rodopiar pelos céus, dançando com as borboletas... Percorria o mundo inteiro, e, em suas alegrias, dispersava tempestades, levantava nuvens de poeira e farfalhava as folhas das florestas... Era a estação das festas.

Mas, quando lembrava da gentil orquídea que aguardava seu retorno, seus sorrisos cessavam. Então, apressava o seu voar. Avançava em linha reta, e como furacão, varria tudo que encontrava em seu caminho, sem que nada o importasse. Seu amor estava a aguardar! Era só nisso que pensava, e célere corria, quanto mais pressentia aproximar-se o seu chegar. Finalmente, apenas o oceano o separava de sua amada. Acelerava seu planar por sobre as ondas, e encapelando-as, em procelas as desfazia. Às vezes, brincava com elas, espalhando pelo céu suas espumas...

Se nuvens negras barravam-lhe o caminho, expulsava-as de sua rota, devolvendo-as ao mar. Nada podia detê-lo... os olhos do tempo, faziam-no lembrar de que a orquídea já lhe abria pétalas de beijos, aguardando-o em sua alcova perfumada, com seus lábios umedecidos pelo orvalho. Turbilhões de inquietações o perturbavam, ao lembrar da fragilidade de sua doce amada.

Nesse dia, tinha pressa, a saudade era atroz, e depois de uma volta ao mundo, vinha risonho, feliz e veloz... Havia algo de estranho, entretanto, desta vez! Lá no alto do promontório, o carvalho ele não avistou. Apenas viu um rochedo imenso, na fímbria do oceano, e lá no alto, o vazio, de onde havia se soltado... Ao seu redor, jazia o carvalho, despedaçado... Galhos boiavam ao longe, folhas soltas esvoaçavam nessa triste e trágica paisagem...e sua amada, onde estaria?

Foi então que ele a viu nos braços do oceano... Inerte, boiava sem vida, com as pétalas destroçadas, aos poucos sendo empurrada para o alto mar... Bramiu o vento o terrível lamento que se ouve dos amantes em desgraça!

Candidamente, rodopiou ao redor da amada, e transportou-a delicadamente ao alto do penhasco, onde a depositou com o desespero dos sonhos perdidos, sobre o tronco de um grande jacarandá. Depois chamou a si todos os pólens que transportava pelo mundo e semeou-os no mesmo galho, formando um lindo jardim...

Como uma triste brisa, ele sobrevoou ainda por algum tempo o local onde deixara a amada, e depois, alçou vôo tempestuoso. Passou raivoso por sobre as colinas distantes, e, invocando os poderes de Odin, seu criador, desceu em impiedosa tormenta sobre o oceano, atirando-o contra os rochedos, erguendo-o em torres d'água monstruosas, que subiam, sugadas por furacões impensáveis, que eram atiradas e espargidas aos espaços onde pulverizavam-se, desaparecendo no horizonte.

Por muito tempo ficou o vento a fustigar o oceano, até que, extenuado, foi embora, deixando no mar um rastro de espuma, último vestígio da luta dos titãs. Njord, o deus dos oceanos e Jord, a deusa da terra, foram chamados à presença de Odin que lhes ordenou jamais se envolvessem novamente em conflitos terrenos, porque, temia ele que nunca mais o vento e o oceano voltassem a ser amigos.

Mesmo assim, longe das vistas de Odin, ainda se pode ouvir o bramido da batalha surda, quando se encontram o oceano e o vento em algum precipício de rochedo, distante...

E, desde então, o vento vaga em solidão, sussurrando entre os penedos, numa triste melodia à amada , e, para que ela viva sempre em sua lembrança, por onde quer que passe, escreve versos na aquarela dos sonhos daqueles que sabem reconhecer em seus sussurros, doces canções de amor...



posted by ANDARILHA DESCALÇA 7:22 PM

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{Sábado, Agosto 21, 2004}

 

POSSIBILIDADES PERDIDAS
Martha Medeiros

Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia,
chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de
agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta,
Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial
me chamou a atenção: "Viver não dói. O que dói é a vida que
não se vive".

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das
coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se
cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não
sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão
bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por
quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e
passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por
todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do
nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os
shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter
compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos
cancelados, pela eternidade interrompida.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao
cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por
todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada
em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas
pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas
porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim
que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais
sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples
como um verso: se iludindo menos e vivendo mais.



posted by ANDARILHA DESCALÇA 1:17 PM

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{Sexta-feira, Agosto 20, 2004}

 

Conto de fadas para mulheres do século XXI
Luís Fernando Veríssimo

Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?... nem morta!


posted by ANDARILHA DESCALÇA 8:33 AM

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{Quinta-feira, Agosto 19, 2004}

 



posted by ANDARILHA DESCALÇA 8:56 AM

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{Quarta-feira, Agosto 18, 2004}

 

O PIQUENIQUE DAS TARTARUGAS

Uma família de tartarugas decidiu sair para um
piquenique. As tartarugas, sendo naturalmente
lentas, levaram sete anos para prepararem-se
para seu passeio.

Finalmente a família de tartarugas saiu de casa
para procurar um lugar apropriado. Durante o
segundo ano da viagem encontraram um lugar
ideal!

Por aproximadamente seis meses limparam a área,
desembalaram a cesta de piquenique e terminaram
os arranjos.

Então descobriram que tinham esquecido o sal.
Um piquenique sem sal seria um desastre, todas
concordaram. Após uma longa discussão, a
tartaruga mais nova foi escolhida para voltar
em casa e pegar o sal, pois era a mais rápida
das tartarugas. A pequena tartaruga lamentou,
chorou, e esperneou. Concordou em ir mas com
uma condição: que ninguém comeria até que ela
retornasse. A família consentiu e a pequena
tartaruga saiu.

Três anos se passaram e a pequena tartaruga não
tinha retornado.

Cinco anos... Seis anos... Então, no sétimo ano
de sua ausência, a tartaruga mais velha não
agüentava mais conter sua fome. Anunciou que ia
comer e começou a desembalar um sanduíche.

Nesta hora, a pequena tartaruga saiu de trás de
uma árvore e gritou, Viu!
Eu sabia que vocês não iam me esperar.
Agora que eu não vou mesmo buscar o sal.

Descontando os exageros da estória, na nossa
vida as coisas acontecem mais ou menos da mesma
forma. Nós desperdiçamos nosso tempo esperando
que as pessoas vivam à altura de nossas expectativas.

Ficamos tão preocupados com o que
os outros estão fazendo que deixamos de fazer
nossas próprias coisas.

(AD)




posted by ANDARILHA DESCALÇA 2:54 PM

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{Segunda-feira, Agosto 16, 2004}

 


Beleza Interior

Falar com paz, caminhar com humildade, trabalhar com amor.
Ação acompanhada por uma profundidade de qualidade
é sinal de introversão.
Ao invés de permanecer dentro, você escolhe
aventurar-se pela porta, levando consigo algo
de valor para todos. As cortinas se abrem e o
que está dentro ficará visível através das janelas,
olhos refletindo claramente a vida da mente.
E chegará um dia em que as mentes serão tão leves
que poderão passar umas pelas outras sem ferir-se.

Anthea Church, Editora Gente, 1993

posted by ANDARILHA DESCALÇA 10:03 AM

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{Domingo, Agosto 15, 2004}

 
Sussurro

Conta-se que um amigo levou um índio para passear no centro

de São Paulo. Seus olhos não conseguiam acreditar na altura dos

edifícios e ele mal conseguia acompanhar o ritmo frenético das

pessoas indo e vindo. Espantava-se com o barulho ensurdecedor

das sirenes, dos automóveis, das pessoas falando em voz alta.

De repente, o índio falou: "Ouço um grilo!"

O amigo espantado retrucou: "Impossível ouvir um inseto tão

pequeno nessa confusão!"

O índio insistiu que ouvia o cantar de um grilo. Tomando o

seu cicerone pela mão, levou-o até um canteiro de plantas.

Afastando as folhas, apontou para o pequeno inseto.

"Como?" Perguntou o amigo, ainda sem crer.

O índio pediu-lhe algumas moedas, e então jogou-as na

calçada. Quando elas caíram e se ouviu o tilintar do metal,

muita gente se voltou.

"Escutei o grilo porque o meu ouvido está acostumado com

este tipo de barulho. As pessoas aqui ouvem o dinheiro caindo

no chão porque foram condicionados a reagirem a esse tipo de

estímulo." Depois arrematou: "A gente ouve o que está

acostumado ou treinado a ouvir."

Vivemos em um mundo materialista. A vida nos impõem que

sejamos muitas vezes duros. Acabamos nos tornando céticos. A

voz de Deus não é ouvida senão por aqueles que tem o ouvido

sensível. Muitas vezes a correria da vida e as agitações da

nossa alma inquieta não nos permitem perceber o Divino.

Treinamos os nossos sentidos para reagir apenas aos impulsos da

sobrevivência, mas há realidades que só se percebem com o

espírito. Aqueles que aquietam o coração e se deixam tocar pelo

Eterno, escutam o sussurro de Deus.

Desejo que todos consigamos, apesar do tumulto que nos

cerca, escutar o sussurro de Deus.

Autor Desconhecido
posted by ANDARILHA DESCALÇA 6:23 PM

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{Sábado, Agosto 14, 2004}

 

ABRIR PORTAS
Meire Michelin

Se você encontrar uma porta na sua frente, você pode abri-la ou não.
Se abrir a porta, você pode ou não entrar em uma nova sala.
Para entrar vai ter que vencer a duvida, o titubeio ou o medo.
Se vencer, dará uma grande passo pois nessa sala, vive-se!
Mas, tem um preço:
O grande segredo é saber quando e qual das duas portas devem ser abertas.
A vida não é rigorosa: ela propicia erros e acertos.
Os erros podem ser transformados em acertos quando, com eles, se aprende.
Não existe a segurança do acerto eterno!
A vida é humilde.
Se a vida já comprovou o que é ruim pra que repetir então?
A humildade da sabedoria é aprender e crescer também observando os erros alheios.
A vida é generosa.
A cada nova sala, descobre-se outras tantas portas.
Ela privilegia a quem descobre seus segredos e, generosamente, oferece-lhe afortunadas portas.
Mas, também, a vida pode ser dura e severa.
Se você não ultrapassar a porta terá sempre essa mesma porta pela frente.
É a estagnação da vida.
Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes paisagens.

posted by ANDARILHA DESCALÇA 6:27 PM

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{Sexta-feira, Agosto 13, 2004}

 

Amor - Pois Que É Palavra Essencial
Carlos Drummond de Andrade

Amor - pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.
Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da prórpia vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
nu úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um Deus acrescenta o amor terrestre.

posted by ANDARILHA DESCALÇA 9:37 AM

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{Quinta-feira, Agosto 12, 2004}

 


Para o resto de nossas vidas
Silvana Duboc

Existem coisas pequenas e grandes,
coisas que levaremos para o resto de nossas vidas.
Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas,
depende de cada um, depende da vida que cada um de nós levou.
Levaremos lembranças,
coisas que sempre serão inesquecíveis para nós,
coisas que nos marcarão, que mexerão com a nossa
existência em algum instante.
Provavelmente iremos pela a vida
a fora colecionando essas coisas,
colocando em ordem de grandeza
cada detalhe que nos foi importante,
cada momento que interferiu nos nossos dias,
que deixou marcas, cada instante que
foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.
Marcas, isso... serão marcas, umas mais profundas,
outras superficiais porém com algum significado também.
Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que se
contarmos para terceiros talvez não tenha a menor importância
pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.
Poderá ser uma música, quem sabe um livro,
talvez uma poesia, uma carta, um e-mail, uma viagem,
uma frase que alguém tenha nos dito num momento certo.
Poderá ser um raiar de sol, um buquê de flores que se recebeu,
um cartão de natal, uma palavra amiga num momento preciso.
Talvez venha a ser um sentimento que foi abandonado, uma decepção,
a perda de alguém querido, um certo encontro casual,
um desencontro proposital.
Quem sabe uma amizade incomparável, um sonho que foi alcançado
após muita luta, um que deixou de existir por puro fracasso.
Pode ser simplesmente um instante,
um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo.
Para o resto de nossas vidas
levaremos pessoas guardadas dentro de nós.
Umas porque nos dedicaram um carinho enorme,
outras porque foram o objeto do nosso amor,
ainda outras por terem nos magoado profundamente,
quem sabe haverão algumas que deixarão
marcas profundas por terem sido
tão rápidas em nossas vidas e terem conseguido ainda
assim plantar dentro de nós tanta coisa boa.
Lá na frente é que poderemos realmente saber
a qualidade de vida que tivemos,
a quantidade de marcas que conseguimos carregar
conosco e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.
Bem lá na frente é que poderemos avaliar
do que exatamente foi feita a nossa vida,
se de amor ou de rancor,
se de alegrias ou tristezas, se de vitórias ou derrotas,
se de ilusões ou realidades.
Pensem sempre que hoje é só o começo de tudo,
que se houver algo errado ainda está em tempo
de ser mudado e que o resto de nossas vidas de certa forma ainda
está em nossas mãos.

*Uma garrafa meio vazia também é uma garrafa meio cheia.
Mas, uma meia mentira nunca será uma meia verdade*.


posted by ANDARILHA DESCALÇA 9:14 AM

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{Quarta-feira, Agosto 11, 2004}

 

Triunfar
(Walt Disney)

E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar...

Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.

Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.

Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.

Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.

Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.

Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar.

Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tenha sido.

Deixei de me importar com quem ganha ou perde, agora, me importa simplesmente saber melhor o que fazer.

Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir.

Aprendi que o melhor triunfo que posso ter, é ter o direito de chamar a alguém de "Amigo".

Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, "o amor é uma filosofia de vida".

Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser a minha própria tênue luz deste presente.

Aprendi que de nada serve ser luz se não vai iluminar o caminho dos demais.

Naquele dia, decidi trocar tantas coisas...

Naquele dia, aprendi que os sonhos são somente para fazer-se realidade.

E desde aquele dia já não durmo para descansar...

Agora simplesmente durmo para sonhar."

posted by ANDARILHA DESCALÇA 8:42 AM

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{Terça-feira, Agosto 10, 2004}

 

Parábola da caverna

Havia seres humanos vivendo numa caverna subterrânea com uma abertura para o exterior e a luz. Eles estavam lá desde a infância, suas pernas e pescoços estavam acorrentados de tal modo que não podiam se mover, só podiam olhar para frente, para a parede do fundo da caverna, pois eram impedidos de virar a cabeça por causa de suas correntes. Havia fogo ardente, à distância, que projetava sobre a parede do fundo sombras de pessoas e objetos que passassem atrás.
Assim os prisioneiros da caverna, que só podiam olhar para aquela parede, acreditavam que as sombras que viam eram a realidade, e passaram a distingui-las e nomeá-las, associando-as às formas que viam e aos sons que ouviam . As sombras eram a sua verdade, a realidade de seu mundo.
Imaginado que um deles pudesse libertar-se das correntes, pôr-se de pé, virar a cabeça e olhar para o fogo, ele sofreria com a súbita intensa luminosidade e não poderia ver a nova realidade. Ele precisaria acostumar-se com a claridade do fogo e visão do mundo superior, além da caverna. Veria primeiro as sombras, depois os reflexos de homens e objetos na água e então os veria diretamente, depois veria o céu, o sol e poderia raciocinar sobre ele. Esta é a seqüência do conhecimento.
Imagine se este homem retornasse à caverna. Teria dificuldades para acostumar-se novamente à semi escuridão e para interpretar as sombras com habilidade, como seus antigos companheiros faziam. Estes diriam que ele voltara enxergando menos que antes e ridicularizariam suas idéias, não acreditando na estranha realidade que lhes era relatada.
Os prisioneiros concluíram então que era melhor não sair da caverna, não rejeitar as sombras tão familiares, e que era extremamente perigoso aventurar-se lá fora. E o que saiu seria julgado um perturbador da ordem e condenado por tal conduta ultrajante."

(Platão, extraído do livro "Renascença Organizacional " Fela Moscovici")

posted by ANDARILHA DESCALÇA 8:58 AM

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{Segunda-feira, Agosto 09, 2004}

 


O LAÇO E O ABRAÇO
José Mário O. R. Barbosa

Meu Deus!!! Como é engraçado!...
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço...
Uma fita dando voltas? Se enrosca...
Mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?

Vai escorregando...
devagarinho, desmancha, desfaz o abraço.

Solta o presente,o cabelo, fica solto no vestido.
E na fita que curioso, não faltou nem um pedaço.


Ah! Então é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento? Como um pedaço de fita?
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz - romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita,sem perder nenhum pedaço.

Então o amor é isso... Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.


posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:51 PM

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{Sábado, Agosto 07, 2004}

 

EU TE AMO
Martha Medeiros

Outro dia estava assistindo a uma apresentação da poeta Elisa Lucinda num sarau em Porto Alegre, onde ela, mais uma vez, hipnotizou a platéia com seu talento vulcânico e seu humor. Num certo momento, ela questionou a razão de os homens terem tanto receio de dizer "eu te amo". Parece que dizer "eu te amo" tem um prazo de validade que dispensa repetições. Elisa fez piada: a mulher diz para o marido "eu te amo, e você?" e ele responde: "O que é isso, mulher, já não disse no aniversário do teu sobrinho ano passado? Parece que bebe!".

São de Elisa Lucinda os versos: "O euteamo é da dinâmica dos dias/é do melhoramento do amor/é do avanço dele/é verbo de consistência/é conjugação de alquimia/é do departamento das coisas eternas". Ou seja: se não nos basta ouvir uma única vez o barulho do mar, se nunca enjoamos do pôr-do-sol, por que o "eu te amo" teria que ser uma raridade em nossas vidas?

Bem, há uma explicação. Você pode dizer que gosta de uma pessoa, até mesmo que a adora, e isto não configurar um compromisso. Mas amar é outra história. O amor não é um sentimento efêmero, semanal. Não ama-se e desama-se como quem troca de roupa. O amor tem o caráter de permanência. E num mundo de múltiplas possibilidades, de ofertas de amor em cada esquina, de ficação em festas e relacionamentos virtuais, quem vai querer se amarrar pela palavra?

Pena. Porque as pessoas amam. Amam muito. Podem até ficar com outras, mas quase sempre amam verdadeiramente alguém. E não se revelam. Não revelam esse amor para quem o desconhece, e nem mesmo para quem está ali, todos os dias ao seu lado, porque amar parece sinal de fraqueza, olhe só como andam tortas as idéias.

Amar cria raiz, sim. Cria, independente de ser verbalizado. Basta sentir o amor para que fiquemos dependentes dele, uma dependência boa, daquilo que nos faz sentir vivos. Dizê-lo em voz alta não nos acorrenta: ao contrário, nos liberta. Dizer "eu te amo" é presente pro amado. Como diz Elisa Lucinda, tudo na vida é novidade: comer, dormir, transar. Tudo é estréia, e amar, logicamente, também é sempre novo e passível de reconhecimento contínuo.

Meninos, digam. Meninas, digam. Se é o que estão sentindo, digam.


posted by ANDARILHA DESCALÇA 3:56 PM

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{Sexta-feira, Agosto 06, 2004}

 

Lenda Chinesa

Naquele tempo. um discípulo perguntou ao vidente:
- Mestre qual a diferença entre céu e inferno?
O vidente respondeu:
- Ela é muito pequena, e , contudo com grandes conseqüências.

Vi um grande monte de arroz, cozido e preparado como alimento, ao redor dele muitos homens, quase a morrer. Não podiam aproximar-se do monte de arroz. Mas possuiam longos palitos de 2 a 3 metros de comprimento.
Apanhavam o arroz mas não conseguiam levá-lo à própria boca, porque, os palitos em suas mãos eram muito longos. Assim, famintos e moribundos, embora juntos, solitários permaneciam, curtindo uma fome eterna, diante de uma fartura inesgotável. E isso era o INFERNO.

Vi outro monte grande de arroz, cozido e preparado como alimento. Ao redor dele muitos homens famintos, mas cheios de vitalidade. Não podiam se aproximer do monte de arroz. Mas possuiam longos palitos de 2 a 3 metros de comprimento. Apanhavam o arroz mas não conseuiam levá-lo à própria boca, porque os palitos em suas mãos eram muito longos. Mas, com seus longos palitos, em vez de levá-los à sua própria boca, serviam uns aos outros o arroz, e assim matavam sua fome insaciável. Numa grenda comunhão fraterna. Juntos e solidários. Gozando a excelência dos homens e das coisas. Isso era o CÉU.

( Do livro "Rabi onde moras?)

posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:56 PM

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{Quinta-feira, Agosto 05, 2004}

 

DO PERDÃO
Paulo Coelho

"A sociedade consegue perdoar o criminoso, e jamais perdoa o sonhador" diz Oscar Wilde. Mas a lei Universal obriga-nos a sonhar. É importante estar sempre pensando nisto.

Não devíamos nunca perguntar ao outro: "o que você faz na vida?" A pergunta de uma pessoa sensível é: "você está sendo fiel aos seus sonhos?"

Ao dizer isto, colocamos no ar a responsabilidade de uma resposta. Obrigamos o outro a reflectir sobre a importância de seus movimentos. Forçamos uma pausa na confusão quotidiana, e encaramos de frente a existência.

Ao perguntar, também precisamos responder.

Somos uma manifestação do pensamento de Deus. Ele espera que a nossa vida seja digna disso.

posted by ANDARILHA DESCALÇA 8:19 AM

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{Quarta-feira, Agosto 04, 2004}

 

Orgulho mata!

Todos os sonhos podem ser realizados.
Todos os desejos podem encontrar uma resposta satisfatória da vida.
O grande problema é quando transformamos os sonhos em "birras orgulhosas" do nosso íntimo.
São aqueles casos onde queremos viver um grande amor, mas, acreditamos e queremos, somente com "aquela pessoa", que já mostrou que não quer nada com a gente.
Quando sonhamos com determinado concurso público, emprego, ou coisa semelhante, e em nome desse "sonho" que demora á acontecer, vamos perdendo chances e mais chances de crescer e ser feliz.
Quantas vezes a felicidade bate á nossa porta e nós nos trancamos em nossos "mundinhos de medo e repressão"?
Quantas vezes o amor está ao nosso lado e não enxergamos, graças a cegueira de nosso orgulho?
Quantas vezes deixamos o ciúme tomar conta de nossa mente e transformamos a nossa vida em inferno?
Quantas vezes trocamos uma oportunidade de emprego que pode gerar um crescimento constante, mas com salário menor inicialmente, por outro enfadonho, triste e chato porque paga um pouco mais?
Quantas vezes expulsamos as pessoas que nos amam de verdade da nossa vida, graças ao nosso mau-humor e aos nossos vícios que ninguém agüenta mais?
Para ser feliz é preciso renunciar ao orgulho que cega, deturpa a verdade e até pode matar, pois o orgulho é pior que o câncer, afinal de contas, a ciência já consegue curá-lo quando diagnosticado cedo, mas o orgulho, só você pode curar, e a vacina é a humildade, o perdão e o amor incondicional.

(Paulo R. Gaefke)

posted by ANDARILHA DESCALÇA 1:26 PM

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{Terça-feira, Agosto 03, 2004}

 

O Louco
Khalil Gibran

Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim:

um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia confeccionado
e usado em sete vidas -e corri sem máscara pelas
ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram
para casa, com medo de mim E quando cheguei à praça
do mercado, um garoto trepado no telhado de uma
casa gritou: "É um louco!".

Olhei para cima, pra vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e
minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras. E, como num
transe, gritei:
"Benditos, bendito os ladrões
que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
ah! e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual
que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.



posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:39 PM

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{Segunda-feira, Agosto 02, 2004}

 

O Hipocondríaco
Frei Betto

Em tempo de remédios falsificados e laboratórios incompetentes, vale lembrar deste consumidor compulsivo que faz da bula Bíblia: o hipocondríaco. Ele padece do mal de ter mania de doenças e adora tomar remédios. Ao passar à porta da farmácia não resiste e pergunta: "O que tem de novidade?"

Nada mais ofensivo ao hipocondríaco do que erguer um brinde e desejar-lhe "saúde!". Ele só freqüenta coquetel de vitaminas. Encara sempre o interlocutor com aquele olhar de quem diz: "ando sentindo coisas que você nem imagina". No telefone, faz voz de vítima. Cara a cara, suplica, silente, a compaixão alheia.

Está sempre entrando ou saindo de uma gripe; já tomou todas as vacinas; sofre da coluna; padece de insônia; e trata médico como faz com motorista de táxi: "Tá livre?"

O hipocondríaco entra na Justiça exigindo mandado de prisão contra os radicais livres e duvida que alguém possa imaginar o tamanho da enxaqueca que teve ontem. Enquanto outros fazem shopping, o prazer do hipocondríaco é visitar drogarias de vitaminas importadas. Ingere pela manhã o abecedário em drágeas e nunca se deita sem antes tomar um chá de ervas.

Hipocondríaco não tem plano de saúde; prefere cota de cemitério. Gosta de se separar da família para morrer de saudades. E fica doente de raiva quando alguém diz que ele aparenta boa saúde.

O autêntico hipocondríaco carrega sempre uma dorzinha de lado, uma unha encravada, uma afta na boca, uma irritação na garganta, uma dor na coluna e umas tonturas estranhas.

Para o hipocondríaco, esposa ideal é a que banca a enfermeira; cadeira confortável é a de rodas; e cama macia, a de hospital.

O hipocondríaco é a única pessoa que, pelo som, distingue sirene de ambulância da de viatura de polícia e de bombeiro.

O guru do hipocondríaco é Hipócrates, e sua filosofia se resume nesta questão metafísica: "Se a gente nasce deitado e morre deitado, por que não viver deitado?"

O hipocondríaco morre de medo da vida saudável. Está convencido de que a diferença entre o médico e ele é que o primeiro conhece a teoria e, o segundo, a prática. Nunca pergunte a ele: "Vai bem?" É preferível: "Melhorou?"

O hipocondríaco só assina revistas médicas e, nos jornais, lê primeiro o obituário. Mas, ao contrário do que se pensa, o hipocondríaco não quer morrer - isto o curaria de sua loucura.

Nunca convide um hipocondríaco a matricular-se numa academia de ginástica. Ofereça-lhe um check-up. Os únicos exames que ele aceita fazer são os clínicos e adora ser reprovado. Se faz cooper, a perna dói; se pratica natação, fica resfriado; se flexiona o abdômen, sente dor nas cadeiras.

O hipocondríaco escuta o médico com a mesma atenção que o bêbado ouve os conselhos do abstêmio. A turma do hipocondríaco se reúne em porta de farmácia e tira férias em clínicas de repouso.

O hipocondríaco é o único paciente que consegue decifrar letra de médico. Ele não se recolhe para dormir, e sim para repousar. Nunca deseje "bom dia" a um hipocondríaco; pergunte: "Levantou melhor?" Aliás, ele não se levanta; tem alta. No aniversário, dê a ele um vidro de remédios. Todo hipocondríaco é viciado em aspirina, vitamina C e melatonina.

O hipocondríaco sabe dar nó nas tripas e acredita que o melhor lazer é curtir uma diverticulite. Considera incompetente todo médico que diz que ele não tem nada.

O hipocondríaco acredita em tudo que a mídia fala sobre cuidados com a saúde.

Quando viaja, não se hospeda; se interna. No bolso de dentro do paletó ele não carrega caneta, mas termômetro. E é a única pessoa capaz de enxergar vírus e bactérias em talheres de restaurantes.

Sonho de hipocondríaco é ser socorrido por um daqueles helicópteros UTI que aparecem na TV. E sempre reclama de que já existem telessexo, telepiada, telepizza, telessorteio, só falta o teledoença: você liga, descreve os sintomas e, do outro lado da linha, uma voz de médico prescreve a medicação.

Deve ter sido um hipocondríaco quem deu ao remédio que combate infecções o nome de antibiótico - que significa "contra a vida".

O hipocondríaco não tem remédio. Ele só se cura quando morre e, paradoxalmente, a morte é o sintoma mais óbvio de que ele tinha razão. Pena que não possa levantar-se do caixão e enfiar o dedo na cara de quem o tratava pejorativamente como hipocondríaco. De qualquer modo, repare como ele, defunto, traz um sorrizinho de vitória nos lábios.

posted by ANDARILHA DESCALÇA 9:20 PM

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{Domingo, Agosto 01, 2004}

 
Canção das Mulheres
(Lya Luft)

¿Que o outro saiba quando estou com medo e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos se precisar ficar um pouco quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele, não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim nem se aproveite disso.

Que, se eu faço uma bobagem, o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que, se estou apenas cansada, o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade, mas talvez por culpa ou acomodação.

Que, se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo de que é culpa dele, ou que não o amo mais.

Que, se estou numa fase ruim, o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo: "Olha que estou tendo muita paciência com você!"

Que, se me entusiasmo por alguma coisa, o outro não a despreze nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.

Que, quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que, quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo atrás de mim reclamando: "Mas que chateação essa sua mania, volta pra cama!"

Que, se eu peço um segundo drinque no restaurante, o outro não comente logo: "Poxa, mais um?"

Que, se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro - filho, amigo, amante, marido - não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que embora às vezes me esforce, não sou nem devo ser a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa, vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa: uma mulher¿.


posted by ANDARILHA DESCALÇA 12:44 AM

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